nos versos-vagões que penetram a escuridão húmida do túnel,
procurei cadência, métrica e poesia
nos rostos das pessoas que pareciam dispor de tempo,
indiscrição,
para lançar olhares,
cansados, fugidios, mas ainda assim ousados e ociosos,
em direcção aos meus olhos quase quase apagados ao fim da tarde
em vão.
encontrei apenas um metro vazio.
os metropolitanenses tinham todos a vergonha na cara
e os olhos no chão
do menos de um metro quadrado que ocupavam
num dado metro,
blues em fim de linha.
estarão todos a pensar naquele pequeno crime, pecado, ou o que se quiser, em que caíram, antes de entrar na garganta - funda - da estação?!
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