27.12.10

Bang me down

A tua franja é tão mais triste quando estás melancólica. O teu sorriso confunde-se com o nevoeiro e traz o cheiro a chuva.
Eu vi-te lá ao fundo a espreitar pelo monóculo do pirata, como quem procura.
E foi então que sonhei um mundo tão mais meu, tão mais nosso.

25.11.10

A minha cabeça noutro tempo (ou a cura de 2008)

Sensação de frustração e de acomodação.
De medo da mudança e do vazio.
Comprimidos, calmantes, chás e mezinhas de todas as espécies para dar coragem não existem. Vontade de ser avestruz e enfiar a cabeça na areia.
Preciso de muletas, pois a auto-estima diminui com o passar do tempo e traz a sensação de morte de tecidos.

13.10.10

Vending Machine

Laca para a peruca

Couve de Bruxelas

Couve roxa

Formosa coxa de frango acondicionada

Caixinha de fósforos

Cereja em lata

Cerveja em lata

Botox para esticar as horas

Maçãs da Argentina

Rolos de lã

Pudim flan

A «Dobra» de Adília Lopes

Um bonsai azul Yves Klein

Uma maquete de habitação descapotável


Lista de compras no post it.

Para sacar da vending machine.

Reposição de stock aos domingos e feriados.

Bas fond.

8.10.10

Badabin badaboom

Quando quero silêncio, os sentimentos saem-me pela boca em catadupa.

26.9.10

rio

rio
em rio de onor
rio de tudo,
de mim, de ti,
dessa coisa chamada amor,
e daquela outra, sabes, o humor... húmido ou seco,
rio do rumor,
essas águas movediças, castiças,
rio-me inclusive das damas de honor,
e nos filmes do Honoré
é uma honra rir-me
do riso sou um habituée
é uma hora, duas, três, a rebolar-me a rir sobre o ridículo da honra,
o ridículo da forma.

rio virado para o rio
a ouvir o «Rio» dos Duran Duran
e claro, o riso dura e dura e é duro e impiedoso para os risíveis.
rio do Rui Rio, do cio, do pio, do fio que trazes ao pescoço.
coço a barriga enquanto rio.
rio e morro a rir, num morro do Rio.
de Janeiro.
em Janeiro.

28.7.10

Aviso à navegação

Fui.
Li.
O objectivo era o de me sentir...Ou de sentir apenas.
Senti. O bem. Depois o mal. O preconceito. A futilidade.
Veio a curiosidade. Li mais. Mais. Mais um bocadinho.
Foi então que vi.
VI.

21.7.10

Por favor desconstruam-me e republiquem-me:


Vendidos e oferecidos de raiz quadrática ventricular.
Posicionam-se como girafas em fila-indiana para sorver os sorvetes servidos em infravermelhos.
Manchas de origem estomacal aproximam-se e criam diálogos gástricos e cíclicos retabulares. 
E depois o Adão disse: 

penúria_luxuriante

Absurd em penúria_luxuriante
Abjectos intra-pessoais
Deixados em localisações 00100101101101001101
E etc.
Procuram-se novos e exímios/
Abjectos para contemplações próximas!

9.7.10

sujeito | objecto

... e Ela cruzou-se com o realizador de «docuficção», cuja obra integral ia ser objecto de análise académica exaustiva (tese de mestrado) por Ela. Ele é um daqueles realizadores de causas sociais, engagé, que nos toca nos seus retratos crus e belos da(s) realidade(s). Ela viu-O ir comprar o jornal ao quiosque B, no Rossio, e decide, no dia seguinte, confiante e obcecada pela personagem, mudar de residência para um banco junto do quiosque, pensando que a compra do jornal ali mesmo seria um hábito diário do senhor realizador social, que era um senhor... anti-social.

Ela pensava abordá-lo um dia destes, quando o visse. o dito realizador não pára ali senão 7 meses e 8 dias depois do primeiro «encontro». entretanto, Ela, já escanzelada, ossos cálcio-deficientes e pele ressequida, embarca num sono profundo, precisamente no momento em que Ele passa por aquele banco... e não o vê.

Ele olha para Ela, enquanto um carreiro de formigas lhe entra pela boca dentro. uma semana depois Ele sugere-lhe que comecem a filmar «No Banco d' Ela», um filme-documentário sobre a vivência desta intelectual sem-abrigo na cidade de Lisboa. Ela aceita a proposta, não reconhecendo já o sr. realizador, em troca de 20€ por dia. enlouquece a meio da rodagem.

o filme recebe 5 estrelas nos jornais de referência de todo o mundo...

16.6.10

Seis exclamações...

27.5.10

Colagem

Rhytmos verbais. Mixturam. Frases sem sentido.
Gosto de. Phrases sem sentido. Trémulas de expressão.
Ou de sonho. Malhado, confuso. Sem sentido. Como um incêndio.
De cortejos sonoros de. Barcos ou beijos.
O coqueiro. é. muito mais vegetal. Quando. As palavras são. Inseguras. Quando. São. Corpos.
Gosto de dizer. Orvalho. Gosto de dizer. Luz.
Gosto de dizer. Palavras.
Mas. Quem as escuta? Quem as recolhe assim?
Sílabas. Desfeitas. Como um cristal.
As palavras. Fazem formigar. As palavras. São.


(colagem a partir de txts de Sophia, Bernardo Soares e Eugénio de Andrade)

15.5.10

profissão: escriturário-dactilógrafo

não sei
tens que te aplicar
um assunto
uma opinião
a mudar
é o «rei mimado»
escrita em directo
performance on-line
o t. passa a vida a
o t. é um happening
o t. acontece
vou acabar a salada diz o e.
ainda tinhas dúvidas?
a l. afinal está a a acabar a salada, prossegue
a s. fuma um cigarro
és tão criativo, de querer e crer criar cenas.
silêncio.
s. sopra.
blow up
blow job
blow no desemprego
s. sorri.
lina: he's working for
because he's from Porto
estou a cortar alho, diz o e.
a pôr alho nas azeitonas, corrige.
what's this?
não acredito
apagaste tudo?
quase
ditador
escangalho
a rir
fialho pereira
oh shit
como se chama o pessoal que transcreve as cenas no tribunal
bué da rápido?
vai dizendo porcaria
porcaria porcaria
procura no google, sugere s.
trans-
sexual
porte
pointing
lúcido
lúcia
pelúcia
irmã lúcia
avé pneu
papa
as papas
dentro do popó-forró
radio what
s. olha para mim com ar matador
s. sorri
vapor, diz e.
vapor
gás
pimenta
o bolso da s.
o ai! da s.
o vento
a impaciência dela.
o estômago dela.
as teclas do gadget dela.

11.5.10

no princípio-mesmo-princípio eram os verbos...

eu gasto
eu desgasto-me
eu desgosto-me
eu esgoto-me
eu, (o) esgoto.

PROP POP POPE

Tanta gente com Papa na boca,
Tanta gente sem papa na boca.
Boçal!, bradam.
Crucifique-se já o boçal e desbocado.
Não é digno desta morada.
A Carris patrocina, perdão, perdão, perdão, saúda o Papa.
Bandeirinha, Prop Pop Pope.
Vive la fête.

No boca-a-boca dos outros, enche o Papa o papo, perdão, o Ego.
Quem ousa invocar o nome do Pai em vão,
E a confiança que ele nos ensinou,
Quer é-é um Mobile XPTO,
Ser ovacionado e vocacionado...
E uns trajes novos para se passear pela cidade.

6.5.10

memo

esqueci-me
do que ia escrever
mesmo agora.
e agora?
agora escrevo
aquilo
que me esqueci de escrever
há pouco.

13.4.10

Work in progress

Dou por mim a negar no momento que ele inspira.

31.3.10

Folclore

Beijo num sapo
Atei o sapato
no mercado do Quebra Costas.
Parti para a guerra
Deixei a terra
num balde de Mim.
Fugi para bem alto
Foi só de um salto
Quando te Vi.

29.3.10

nó.
nódoa que dói dói no tecido da toalha rendada de mesa.
dor de garganta.
que doa!
nó na garganta.
garganta espetada por um garfo espetando uma deliciosa espetada.
depois de meter o garfo à boca, uma gargalhada esgalhada,
daquelas em que quase morremos de tanto rir.
depois sentimos que a garganta está ferida.
e, oops, já não tem graça.
graçola de graça,
não, garçon.
não é de graça.
graceja,
enquanto o esparguete boceja,
e seca no prato.
ninguém se lembra mais dele.
nódoa no tecido.
nódoa no corpo.
nó.
novas.
novelos.
novelas.
o jantar à luz das velas apagou-se.

27.3.10

Untitled #727

(umas palavras escritas em 2003)

Há um jarro de lírios à minha frente.

Uma tela branca atrás.

Ando para a pintar há meses.

Ninguém quer saber dela senão eu e mesmo eu tenho-lhe falhado ou, daí, não.

Não sei se ela quer que a pinte ou que simplesmente a deixe rasa, sem vícios, sem cores ou expressões.

Ontem chamou-me no meu mais tranquilo sono.

Pediu-me licença para existir.

Mas foi no sono e fora do meu sono não sei o que ela deseja.

No meu sono tudo é possível, fora dele tenho uma corda.

Sei que ela tem desejos e que gosta da minha companhia, quando não estou sóbrio.

Há uma criança a meu lado.

Furando a parede, a mil quilómetros, a criança está lá.

De olhar taciturno, está sentada numa cadeira de madeira roída pelo caruncho.

Uma cadeira com uma memória intacta.

Uma cadeira com um corpo esburacado.

A criança não sabe quem é.

Encontra-se ali desde a sua nascença.

Tem a cara suja em sangue.

De quem, não sabe.

Tem as mãos amarradas e sussurra palavras vãs.

Sabe dizer «ptzg» e «gsgag».

De resto, não lhe interessam nomes nem seres humanos.

Por vezes, convive com um rato que corre à sua frente, todos os dias, entre as 9 e as 10 da noite.

O rato não tem pele.

Nunca comeu, diz-me o sofá que o alberga à noite.

Sobrevive à custa do exercício de hora que executa em frente à criança.

Por vezes, lambe-lhe as pernas.

Outras vezes chega-lhe aos seios em busca de leite, mas nunca o sugou.

26.3.10

High Life Tech

Pela janela de MSN não dá para mandar a trança ao príncipe.

22.3.10

Wordle: word-soup-opera

21.2.10

005

Ich bin blindtext.

011

Calças às riscas


Tenho uma calças às riscas


E um par de sapatos que não combinam


O casaco está roto


A camisa tem a gola suja


As meias negras são novas


E as flores já não cheiram a sovacos.

004

magrinho madrinho ou madrinho magrinho dizia ela:

003

Um dois e três


A comer um de cada vez…


Deixo de ler o sono e o estómago vai-se,


Longe.


E fico perto do género literário


O não consumido desmedurado


O medido resumido,


Em boa parceria descrita em páginas de telemóvel sobrecarregado de sms e mms sem sentido de 52centimos cada.

charme bicicleta

nervo,
fervo,
quando o cérebro mingua.
é electro-magna causa oxigená-lo.

danço salto voo,
quando o comboio vem.
rico pobre alegre nobre
falta alguém?

já não há
senão Bem
ao contrário,
diz o vigário,
do alto das suas saias brancas,
manchadas.

conta, conta-me como foi,
como é,
um pontapé, de bicicleta.
nunca o dei,
nunca dei
uma para a caixa,
nem alta nem baixa.
nem uma rasteira.
estatelei-me no chão
e nem sequer na bola toquei.

oh, tristes pés, sempre ao léu.
se ao menos alguém me desse umas Adidas em 3ª mão,
ou de uma marca qualquer,
em 3º pé, perdão...

e do pé para a mão,
perdi a razão que tinha.
e o que tem o cu com as calças?
uma relação,
íntima ou não, têm.

de jeans rasgados nos joelhos,
solta o rasgo frente ao espelho
espalhando charme,
espelhando os ossos,
diz:
"vou uivar para ali.
aqui ninguém me «oive»".

9.2.10

Ressuscitem-No!

Ressuscitem o Cadáver Esquisito que há em Vós!

E depois de «CAFÉ & CIGARROS»... [ReMake-Up]




O realizador Jim Jarmusch roda, em Portugal, o filme-documentário «EMPALHADA DE TREMOÇOS, AMENDOINS E AZEITONAS»,

em torno de conversas de cafés e tascas, com actores amadores nos principais papéis.


Os papéis secundários

– de barman, cozinheira, empregada de limpeza e o tipo que vai comprar tabaco à caixa, etc. -

foram atribuídos a actores como Alexandra Lencastre, João Perry, Rogério Samora e Marina Mota.

8.2.10

«causista» pós-moderno

deixa cá pensar...
que causa vou eu hoje defender...

5.2.10

e...

quando digo «não vou reagir»,
estou a reagir.

23.1.10

.

o
mal
e a mala
encontram-se
no porão de um avião.

o que dizem um para o outro?

12.1.10

Olarila

O orgulho é tão grande que cega.
Até cria valor onde não o há.
Tudo para não dar o braço a torcer.
O orgulho se fosse um rapaz, não subiria às árvores por se achar superior a elas. Nem respiraria, pois bastar-se-ia a ele próprio.
Mas o orgulho não é um rapaz. Tem 60 anos e sobrevive com outros e um tubo imaginário na boca ligado a uma imaginária máquina que cria ar…do ar.

Ler

Escrever até mais não, até não me apetecer escrever e querer escrever e nao saber escrever e nao escrever
escrever escrever escrever