27.1.09

O Sr. Permeável

Era uma vez... o sr. Permeável.
O sr. Permeável era um senhor muito estimável,
Mas era... q.b. permeável.

Formava apenas opinião, depois de sondadas as mais populares opiniões,
Dos mais populares líderes de opinião.
Num grupo de três, quatro, cinco, seis, sete, oito fala-baratos... a coisa passava despercebida.

Era pré-visualizável e expectável, se bem esprimida, a sua vida.
Lida nos lábios dos outros.
Ora conveniente e popular, no grupo.
Ora impotente e de pular, quando a dois.
E depois... era a favor da eutanásia.
E antes... anti.
Avanti, talvez.
Andava ao sabor do grupo, do apupo.
Quando havia alguém a pupular pelos dois,
O sr. Permeável ficava de bico calado.

Ora, um dia «choveu»,
E o sr Permeável,
Des-prevenido,
Des-preventivo,
Permeável, claro,
Primeiro estremeceu,
Depois, padeceu,
E, no fim, triste, o amável senhor Permeável faleceu.

Irónico prémio:
O sr. Permeável coleccionava impermeáveis.
Mas esquecera-se do último que comprara no hall do bar,
De onde fugia, atordoado, envergonhado, à prova dos nove de...
Nove pessoas, com nove fortes convicções, que lhe solicitavam uma fundamentada opinião.
E coisa que o Sr. Permeável não era... era um colete à prova de balas.
Nem de uma, nem de duas... muito menos de nove.

Es ven trar

Eu confesso:

Nutro
uma
secreta,
visceral,
esventrada,
estropiada,
estripada
admiração
pelo
verbo
ESVENTRAR.

Eu esventro...
Tu esventras...
Ele esventra...
Ela esventra...
Nós esventramos...
Vós esventrais...
Eles esvestram...
O verbo...
A verbe...
Do verbário.

18.1.09

escolhas

«AMA-ME OU MATA-ME», brada ela, com ar de tresloucada, citando s. kane, dirigindo-se a ele.
ele pergunta-lhe: «não há opções C, D, etc, etc...?»
ela responde: «NÃO, ESCOLHE!».
ele escolhe: suicida-se, diante dela.

Macaco I & II

Macaco I

Pena de um macaco girão
Pêlo russo de prostituta malhada
Penugem depois d’ovo
Pestana quadrada
Transformador, talhador, decisor
De um pêlo ruivo de macaco branco
Comedor de homens

Macaco II
Macacos-brancos-comedores-de-homens
Ao sopé da árvore
Caganitas brancas de osso-umeral+radial
Cheiram
Losango entalador de gargantas
Sufixo erróneo
Escrito em unha descolorada
Lá lá land
Repleta de árvores-macaco comedoras
Losango-cortantes respirantes
Enfrentam-se
e
Por fim
Lambem as feridas
Junto à poça angular.

17.1.09

Tique táque

Tique táque
Da bengala no passeio
Estridente
Decadente
Velha
Idosa
Rancorosa
Tique táque diz a bengala
Tique táque.

16.1.09

ó, s.f.f.

ó,
cadela,
faz-me um favor:
mia para mim.

ó,
gata,
faz-me um favor:
tira-me a gravata.
da qual eu estou farta.

ó,
rã,
faz-me um favor:
leva-me até aquele avião.

ó,
jacaré,
faz-me um favor:
mata-me,
mas não me mordas o pé.

ó,
meloa, faz-me um favor:
canta para mim, até que a voz te doa.

6.1.09

The End

Um Big Bang ao contrário.
O universo, em contagem decrescente:
Da expansão à inexistência.
Adeus tempo, adeus espaço.
A origem das espécies ao revés.
Países em vias de desenvolvimento por desenvolver.
Países desenvolvidos volvidos.

Adon(is) e Ever (ler «Eva») e os seus filhos-incestos-incestuosos
Desaparecem de cena numa cena de gang-bang.

«The end, beautiful friend, the end»