esperou, esperou, esperou,
horas a fio,
na berma da estrada,
por que um dos milhares de carros e carrinhas e motas que passavam por si parasse,
por que uma alma não desconfiada, empática, piedosa ou aventureira lhe desse uma boleia.
estava esfomeado, desidratado,
lábios a ressequir ao sol,
fatigado,
a 45kms do povoado mais próximo,
tinha um travão nas pernas.
era um homem nos seus 61 anos,
talvez 61 e 2 meses.
talvez menos 2 dias e uma tarde.
desprezado o seu polegar por uma série de ambulâncias - em fila a caminho de uma cerimónia qualquer - que dele se abeiravam, tranquilas,
decidiu tombar o corpo franzino para a frente da próxima que com ele se cruzasse.
afinal, alguém teria que o tirar dali, vivo ou morto.
para ele, naquele momento, o estado era irrelevante.
ele só queria uma boleia,
transitar, mover-se,
vivo ou morto.
a carrinha ambulante, sem urgência, trava a fundo,
evitando um atropelamento,
mas o homem morre, à sua frente, de hipohidratação.
21.12.09
20.12.09
notas de uma viagem de marie delmonde
(no comboio, a caminho de budapeste)
deixa-me
uma nota de quantos dólares quiseres.
sabes bem que não sou puta, nem proxeneta,
e se o sou, não uma qualquer.
nem sequer me interesso pelo vil capital.
digamos que:
gosto de coleccionar,
arquivar notas.
as de despedida,
sobre o rosto de churchill,
de um rei qualquer,
ou sobre o mapa da europa.
são histórias.
é História.
peço-te que ma deixes
sob o soutien,
enquanto durmo,
antes de me deixares.
não te peço que nela espalhes tinta.
deixo-te esta pequena nota:
as tuas impressões digitais bastam-me.
para parecer mais real,
do teu dedo mais sujo.
antes de partires para o outro vagão.
tenho um cigarro, a arder, entre os dedos dos pés.
dormito, no exponencial + infinito do potencial.
mas não tenho memória, nem papel para apontar tamanha torrente.
e há uma criatura que mo impede.
me pede: «não o faças».
«lúcida, não suportarias tal baque», remata.
travo-me.
o meu umbigo é:
um buraco entre a fantasia e o verbo.
nunca haverá sobre ele ponte por onde se passe,
sem se cair ao mar, daquele que engole.
nunca haverá ponta por onde se pegue.
ponto.
só uma ponta do cigarro na ponta dos meus dedos,
a arder.
a arder.
deixa-me
uma nota de quantos dólares quiseres.
sabes bem que não sou puta, nem proxeneta,
e se o sou, não uma qualquer.
nem sequer me interesso pelo vil capital.
digamos que:
gosto de coleccionar,
arquivar notas.
as de despedida,
sobre o rosto de churchill,
de um rei qualquer,
ou sobre o mapa da europa.
são histórias.
é História.
peço-te que ma deixes
sob o soutien,
enquanto durmo,
antes de me deixares.
não te peço que nela espalhes tinta.
deixo-te esta pequena nota:
as tuas impressões digitais bastam-me.
para parecer mais real,
do teu dedo mais sujo.
antes de partires para o outro vagão.
tenho um cigarro, a arder, entre os dedos dos pés.
dormito, no exponencial + infinito do potencial.
mas não tenho memória, nem papel para apontar tamanha torrente.
e há uma criatura que mo impede.
me pede: «não o faças».
«lúcida, não suportarias tal baque», remata.
travo-me.
o meu umbigo é:
um buraco entre a fantasia e o verbo.
nunca haverá sobre ele ponte por onde se passe,
sem se cair ao mar, daquele que engole.
nunca haverá ponta por onde se pegue.
ponto.
só uma ponta do cigarro na ponta dos meus dedos,
a arder.
a arder.
7.12.09
Proib!
Sentido!
Sentido,
Sinal
Banal
Vertical
Proibido.
(Vamos lá, então, às palavras de ordem!)
É proibido proibir!
Proibido proibir proibições!
É proibido privações!
Proibido proibir privações!
(Agora, um pouco de Bíblia no divã)
O fruto proibido está podre, à porta da tua boca.
Não é proibido comê-lo.
Pelo contrário, proibido é não comê-lo!
(Agora, venham lá as lições de moral sadias!)
Proíbe-me tudo, menos o masoquismo!
Menos o masoquismo, ouviste?
Rasga-me o pescoço!
Proibo-te apenas de não me rasgares o pescoço!
Só essa proibição liberta.
Se és masoquista, compreenderás.
(Por fim, lirismo amador e uma questão legal)
Sentido proibido,
Caído no chão.
Proibido calcar!
Proibido contornar!
Proibido sobrevoar!
E mais: não sabem vocês que é proibido roubar sinais proibidos?
Porquê?
Proibido pensar!
Sentido,
Sinal
Banal
Vertical
Proibido.
(Vamos lá, então, às palavras de ordem!)
É proibido proibir!
Proibido proibir proibições!
É proibido privações!
Proibido proibir privações!
(Agora, um pouco de Bíblia no divã)
O fruto proibido está podre, à porta da tua boca.
Não é proibido comê-lo.
Pelo contrário, proibido é não comê-lo!
(Agora, venham lá as lições de moral sadias!)
Proíbe-me tudo, menos o masoquismo!
Menos o masoquismo, ouviste?
Rasga-me o pescoço!
Proibo-te apenas de não me rasgares o pescoço!
Só essa proibição liberta.
Se és masoquista, compreenderás.
(Por fim, lirismo amador e uma questão legal)
Sentido proibido,
Caído no chão.
Proibido calcar!
Proibido contornar!
Proibido sobrevoar!
E mais: não sabem vocês que é proibido roubar sinais proibidos?
Porquê?
Proibido pensar!
26.11.09
22.11.09
Caobsurdo
Ouvi contar que há uns homens que criam cães chamados galgos. Que treinam os cães para correrem mais que os cães de outros homens que também criam essa raça de cães.
E que, depois de bem treinados, se juntam todos, homens e cães numa espécie de evento social, uma grande festa, e mandam os cães correr a ver qual o cão que chega primeiro.
Que era muito importante para estes homens que o seu cão chegasse em primeiro lugar. Chamavam a isto desporto. O dono do cão que chegava primeiro ficava muito ufano, recebia parabéns, apertos de mão, abraços, palmadinhas nas costas. Recebia também um prémio.
Parece que chegar primeiro seria considerado sinal de virilidade. Não do cão mas do dono.
Para me provarem que era verdade mostraram-me uma fotografia de uma dona de cão galgo que tinha ganho uma corrida e a dona era bem servida de pilosidades no rosto.
Ouvi contar também que o prémio do cão era ser abatido ao fim de uns três anos, quando já não tinha nenhuma hipótese de correr de modo a que o dono ganhasse a corrida.
Ouvi contar. Mas deve ser mentira.
Outros me contaram que faz parte da natureza do homem a bondade e a compaixão.
Portanto, não inventem.
E que, depois de bem treinados, se juntam todos, homens e cães numa espécie de evento social, uma grande festa, e mandam os cães correr a ver qual o cão que chega primeiro.
Que era muito importante para estes homens que o seu cão chegasse em primeiro lugar. Chamavam a isto desporto. O dono do cão que chegava primeiro ficava muito ufano, recebia parabéns, apertos de mão, abraços, palmadinhas nas costas. Recebia também um prémio.
Parece que chegar primeiro seria considerado sinal de virilidade. Não do cão mas do dono.
Para me provarem que era verdade mostraram-me uma fotografia de uma dona de cão galgo que tinha ganho uma corrida e a dona era bem servida de pilosidades no rosto.
Ouvi contar também que o prémio do cão era ser abatido ao fim de uns três anos, quando já não tinha nenhuma hipótese de correr de modo a que o dono ganhasse a corrida.
Ouvi contar. Mas deve ser mentira.
Outros me contaram que faz parte da natureza do homem a bondade e a compaixão.
Portanto, não inventem.
18.11.09
BEAT-VITE
manto de dinamite
afrodite
esferovi...
POLIESTIRENO!
bradam-me os puristas techniques,
que não entendem como é + do que freak comer esferovite,
agnósticos do seu poder afrodisíaco.
e eu, mea culpa, à margem da gnose do seu funcionalismo XPTO.
cristo...
há quem o prefira, o esferovite
feito plástico, isolamento, técnico, térmico.
a mim apetece-me mastigá-lo,
hidrogénio e carbono, mmmm, bem cancerígeno,
pipocas de esferovite passadas no passe-vite.
assim, a vida passa a outro sabor.
uma neologia,
um flavourite.
- sem technique não vais a lado nenhum
dizem-me os techniks.
- vês os beatniks, como muitos acabaram a vida?
abatidos pela batida aturdida do beat,
entre o monóxido de carbono libertado pelos cigarros, uma espécie de free jazz e a água cor de vodka,
- e onde jazem eles?
num vago lirismo perdido num vagão de um transiberiano descarrilado,
em direcção a nenhures, algures na Big Long Longínqua Rússia.
afrodite
esferovi...
POLIESTIRENO!
bradam-me os puristas techniques,
que não entendem como é + do que freak comer esferovite,
agnósticos do seu poder afrodisíaco.
e eu, mea culpa, à margem da gnose do seu funcionalismo XPTO.
cristo...
há quem o prefira, o esferovite
feito plástico, isolamento, técnico, térmico.
a mim apetece-me mastigá-lo,
hidrogénio e carbono, mmmm, bem cancerígeno,
pipocas de esferovite passadas no passe-vite.
assim, a vida passa a outro sabor.
uma neologia,
um flavourite.
- sem technique não vais a lado nenhum
dizem-me os techniks.
- vês os beatniks, como muitos acabaram a vida?
abatidos pela batida aturdida do beat,
entre o monóxido de carbono libertado pelos cigarros, uma espécie de free jazz e a água cor de vodka,
- e onde jazem eles?
num vago lirismo perdido num vagão de um transiberiano descarrilado,
em direcção a nenhures, algures na Big Long Longínqua Rússia.
4.11.09
Leva as facas.
Corta-me a garganta.
Faz-me acreditar que assim desaparece todo o ar.
Leva as mãos e os pés,
faz deles suportes de um tampo de mesa,
para o fulano que vive no rés.
Do chão. Leva as madeiras,
as esteiras, as cadeiras.
Corta-me o cabelo,
e mostra-o como triunfo na guerra.
Faz-me acreditar que assim desaparece todo o ar.
Leva as mãos e os pés,
faz deles suportes de um tampo de mesa,
para o fulano que vive no rés.
Do chão. Leva as madeiras,
as esteiras, as cadeiras.
Corta-me o cabelo,
e mostra-o como triunfo na guerra.
2.11.09
abcd
Amélia - disse ele -, amélio-te.
Baluarte, medieval-arte.
Caduco, o cuco desce, junto da folha caduca.
Duque de paus serve de batuque.
Eunuco nenuco, azarado, leva um tiro na nuca.
Fado-é-fardo-e-farda-de-enfardar-por-engomar.
Gongóricas alegorias provocam alergias retóricas.
Homeopata psicopata (m)ata e não desata.
Igreja, que assim seja.
Juvenil cedo senil estica o pernil.
Kodak desaparece do mercado, morre de baque.
Luxúria ao avesso: Ludoteca em pudicoteca.
Monalisa não tinha a cabeleira lisa.
Nádegas belas na adega, junto ao vinho vintage.
Oligarquia oleosa.
Padeira da Pedreira arrota mais alto do que a de Aljubarrota.
Quantos quantos disse hoje?
Roedor de serigrafias de Marilyns do Roy Lischenstein fá-lo sadicamente.
Sade há-de perdurar.
Tânia é uma rapariga contemporânea e com líbido cutânea.
Uvas de uval podres atiradas ao vale.
Vade retro, retrosaria.
Xilol não é lixo, nem lençol.
Zebra.
Baluarte, medieval-arte.
Caduco, o cuco desce, junto da folha caduca.
Duque de paus serve de batuque.
Eunuco nenuco, azarado, leva um tiro na nuca.
Fado-é-fardo-e-farda-de-enfardar-por-engomar.
Gongóricas alegorias provocam alergias retóricas.
Homeopata psicopata (m)ata e não desata.
Igreja, que assim seja.
Juvenil cedo senil estica o pernil.
Kodak desaparece do mercado, morre de baque.
Luxúria ao avesso: Ludoteca em pudicoteca.
Monalisa não tinha a cabeleira lisa.
Nádegas belas na adega, junto ao vinho vintage.
Oligarquia oleosa.
Padeira da Pedreira arrota mais alto do que a de Aljubarrota.
Quantos quantos disse hoje?
Roedor de serigrafias de Marilyns do Roy Lischenstein fá-lo sadicamente.
Sade há-de perdurar.
Tânia é uma rapariga contemporânea e com líbido cutânea.
Uvas de uval podres atiradas ao vale.
Vade retro, retrosaria.
Xilol não é lixo, nem lençol.
Zebra.
18.10.09
O Sr. Mais-Do-Que-Produtivo
Era uma vez...
Um empresário, a operar no ramo das fraldas de bebé, tão obcecado com a produtividade, com a sua e a dos outros, que, tinha como objectivo - tal como na sua empresa - produzir o máximo número de filhos possível, não lhe fossem atribuir o cognome de «O Preguiçoso», «O Laxista», « O Irresponsável», «O Incompetente». Odiava que o colassem alguma vez a qualquer um desses adjectivos na empresa, e não admitiria que passasse pela cabeça de alguém que era exactamente assim na sua vida familiar.
Assim, ia preparando, estrategicamente, competente, vertical, direito, o seu império de produtividade, de trabalho doméstico. Programava e promovia, desta forma, o seu marketing pessoal: a sua casa como a extensão da sua empresa, e a sua empresa como extensão da sua casa.
Contratava, como numa companhia de gente anónima, mais de 365 mulheres por ano para produzir filhos, já que a sua mulher era estéril e compreendia a necessidade de posicionamento do marido no mercado da reputação... dos homens produtivos. Ela depois tomaria conta deles, com todo o carinho, dizia-lhe.
Os seus filhos eram produções, metas cumpridas, eficácia, auto-iniciativa, poderio.
Pois, o pobre senhor rico produzia e reproduzia imenso, mas... não sabia o nome de um único filho. Contudo, ninguém poderia, é certo, manchar a sua reputação de... exímio empresário.
Um empresário, a operar no ramo das fraldas de bebé, tão obcecado com a produtividade, com a sua e a dos outros, que, tinha como objectivo - tal como na sua empresa - produzir o máximo número de filhos possível, não lhe fossem atribuir o cognome de «O Preguiçoso», «O Laxista», « O Irresponsável», «O Incompetente». Odiava que o colassem alguma vez a qualquer um desses adjectivos na empresa, e não admitiria que passasse pela cabeça de alguém que era exactamente assim na sua vida familiar.
Assim, ia preparando, estrategicamente, competente, vertical, direito, o seu império de produtividade, de trabalho doméstico. Programava e promovia, desta forma, o seu marketing pessoal: a sua casa como a extensão da sua empresa, e a sua empresa como extensão da sua casa.
Contratava, como numa companhia de gente anónima, mais de 365 mulheres por ano para produzir filhos, já que a sua mulher era estéril e compreendia a necessidade de posicionamento do marido no mercado da reputação... dos homens produtivos. Ela depois tomaria conta deles, com todo o carinho, dizia-lhe.
Os seus filhos eram produções, metas cumpridas, eficácia, auto-iniciativa, poderio.
Pois, o pobre senhor rico produzia e reproduzia imenso, mas... não sabia o nome de um único filho. Contudo, ninguém poderia, é certo, manchar a sua reputação de... exímio empresário.
Cala-me. Com um beijo.
Quando duas almas se encontram e se tocam:
01. arrebatamento súbito e efémero; impulso.
02. entusiasmo, disposição.
03. inspiração, estro.
Elán.
01. arrebatamento súbito e efémero; impulso.
02. entusiasmo, disposição.
03. inspiração, estro.
Elán.
3.10.09
24.9.09
A-bee-lha
Quanto mais te mexes, mais te afundas – dizia-me ele.
Mas estou quietinha – argumentava eu.
Não compreendia o porquê dele me dizer aquilo quando me sentia inerte.
Ele avisou «virá a picada da abelha e saltarás de dor. Ou de susto.»
Mas estou quietinha – argumentava eu.
Não compreendia o porquê dele me dizer aquilo quando me sentia inerte.
Ele avisou «virá a picada da abelha e saltarás de dor. Ou de susto.»
22.9.09
Breathe in. Breathe out.
Cortaste-me.
Obrigada.
Só depois do corte, me apercebi que ainda estava viva.
Se não me tivesses cortado, não respirava como se quase me afogasse. E aí morria sem ar.
Morria se tu não me cortasses. Morro quando me cortas.
Dói. Dói a lâmina e não a ferida que abriu.
Obrigada.
Cortaste-me.
Obrigada.
Só depois do corte, me apercebi que ainda estava viva.
Se não me tivesses cortado, não respirava como se quase me afogasse. E aí morria sem ar.
Morria se tu não me cortasses. Morro quando me cortas.
Dói. Dói a lâmina e não a ferida que abriu.
Obrigada.
Cortaste-me.
13.9.09
10.9.09
a casa
Era uma casa pintada de cor-de-rosa onde vivia uma família de mãe e filhos.
Havia um muro da altura da criança do meio e para lá do muro um jardim com muitas flores que mudavam conforme a estação.
Havia o pátio na frente da casa onde os irmãos da criança do meio brincavam.
E o pátio de trás com uma parede caiada de branco com uma risca escura muito grossa na parte de baixo.
A criança do meio gostava de, com as unhas, esfolar a parede branca e comer-lhe a cal em dias de muito sol.
A casa foi vendida e, onde antes era o jardim, está agora um grande cubo que é uma oficina onde arranjam carros.
As crianças cresceram, cada uma está numa terra diferente. Um morreu, a mãe morreu. Mas,em noites de muito breu, a criança do meio visita a casa.
No pátio da frente vê os irmãos. Brincam como costumavam.
O jardim ainda lá está e ela vê-se a dormir à sombra das dálias do jardim.
Havia um muro da altura da criança do meio e para lá do muro um jardim com muitas flores que mudavam conforme a estação.
Havia o pátio na frente da casa onde os irmãos da criança do meio brincavam.
E o pátio de trás com uma parede caiada de branco com uma risca escura muito grossa na parte de baixo.
A criança do meio gostava de, com as unhas, esfolar a parede branca e comer-lhe a cal em dias de muito sol.
A casa foi vendida e, onde antes era o jardim, está agora um grande cubo que é uma oficina onde arranjam carros.
As crianças cresceram, cada uma está numa terra diferente. Um morreu, a mãe morreu. Mas,em noites de muito breu, a criança do meio visita a casa.
No pátio da frente vê os irmãos. Brincam como costumavam.
O jardim ainda lá está e ela vê-se a dormir à sombra das dálias do jardim.
19.8.09
talking in
* Now talking in Bibliotheca de Babel
eleanor-rigby:- tas bem?
noia:- taçe?
Mongo:- catamos
Mongo:- estou a ser atacado por um gajo que só tem uma aldeia)
noia:- uiii
noia:- onde?
eleanor-rigby:- guerraaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa
eleanor-rigby:- soldadosssssssssss
eleanor-rigby:- nobres!!!!!!!!
noia:- ihih
eleanor-rigby:- vou dormir!!!!
eleanor-rigby:- te amanhaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa
eleanor-rigby:- bjssssssssssssss
noia:- t amanha beijos
Mongo:- no k
Mongo:- uma aldeia de bárbaros que conquistei hoje
noia:- então ele já tinha mandado os ataques?
Mongo:- acho que não
Mongo:- quando a conquistei não tinha nenhum ataque
Mongo:- agora tenho
noia:- que tontinho
Mongo:- )
Mongo:- vou deixar o ataque bater
Mongo:- a aldeia não tem tropa
Mongo:- e tem pouca muralha
noia:- http//www.mnba.org.ar/obras_autor.php?autor=&opcion= que coisa mai feia
Mongo:- )
Mongo:- é uma camponesa
noia:- sim, não gosto
noia:- tinha que fazer a camponesa feia?
Mongo:- a que serviu de modelo devia ser feia)
noia:- pois
Mongo:- já conquistaste as aldeias que reservaste?
noia:- sim
noia:- devia apagar
Mongo:- vê mais aldeias ali a sul e reserva
noia:- amanhã
noia:- hoje estou imprópria
Mongo:- pois, tb eu)
Mongo:- adormeci depois do jantar e fiquei esquisito
noia:- eu bebi água demais
noia:- tou com barriga de água
Mongo:- )
Mongo:- já puseste as maias nas portas por causa do carrapato?)
noia:- xiii
noia:- na aldeia fazia isso
noia:- n tenho maias aqui
Mongo:- aqui no porto ainda se faz)
Mongo:- a minha mãe até pôs maias no meu carro)
noia:- e no dia das maias tinhamos que levantar cedo
Mongo:- )
noia:- ahah
noia:- gostei dessa da tua mãe
Mongo:- ela põe maias por todo o lado)
noia:- e faz muito bem
noia:- devemos fazer aquilo em que acreditamos
noia:- n és tu que dizes que és o lugar onde te sentes bem?
noia:- a tua mãe sente-se bem nesse lugar das maias
Mongo:- pois é)
Mongo:- ela curte as tradições
noia:- óptimo
noia:- a minha mãe queimava alecrim qd dava trovoada
noia:- e rezava a santa bárbara
Mongo:- a minha mãe tb tem uma série de superstições
Mongo:- até lhes perco a conta)
noia:- n te contei aquela cena da minha mãe de transportar a cama em dia de trovoada?
Mongo:- acho que não
noia:- então foi assim que aconteceu
noia:- a minha casa era de primeiro andar e os quartos eram em cima
noia:- um dia deu uma daquelas trovoadas pavorosas
noia:- a minha mãe resolveu desmanchar uma cama lá de cima e transportar para o res-do-chão
noia:- sabes como eram as camas antigas, uma trabalheira
Mongo:- eu sei)
noia:- então ela e nós pequenitos peça por peça veio a cama aos bocados para baixo
noia:- transportar o colchão foi uma saga
noia:- e nós uns a rir e os outrpos espantados
noia:- em baixo montamos a cama e qd finalmente estava montada deitamo-nos os seis na cama
noia:- vai daí deu um trovão tão grande que parecia que o mundo ia abaixo
noia:- a minha mãe deu um salto da cama e em pânico disse que era castigo de deus por termos transportado a cama
Mongo:- )
noia:- então, desmanchamos a cama, subimos, peça por peça montamos a cama e cada um foi dormir no seu quarto, entretanto já quase era manhã
Mongo:- eu tenho um primo que quando era puto e trovejava
Mongo:- dizia que era deus que nos estava a mastigar)
noia:- ahah
Mongo:- vou descansar
Mongo:- noia, hastaaaaaaaaaaaaa
Session Close Fri May
eleanor-rigby:- tas bem?
noia:- taçe?
Mongo:- catamos
Mongo:- estou a ser atacado por um gajo que só tem uma aldeia)
noia:- uiii
noia:- onde?
eleanor-rigby:- guerraaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa
eleanor-rigby:- soldadosssssssssss
eleanor-rigby:- nobres!!!!!!!!
noia:- ihih
eleanor-rigby:- vou dormir!!!!
eleanor-rigby:- te amanhaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa
eleanor-rigby:- bjssssssssssssss
noia:- t amanha beijos
Mongo:- no k
Mongo:- uma aldeia de bárbaros que conquistei hoje
noia:- então ele já tinha mandado os ataques?
Mongo:- acho que não
Mongo:- quando a conquistei não tinha nenhum ataque
Mongo:- agora tenho
noia:- que tontinho
Mongo:- )
Mongo:- vou deixar o ataque bater
Mongo:- a aldeia não tem tropa
Mongo:- e tem pouca muralha
noia:- http//www.mnba.org.ar/obras_autor.php?autor=&opcion= que coisa mai feia
Mongo:- )
Mongo:- é uma camponesa
noia:- sim, não gosto
noia:- tinha que fazer a camponesa feia?
Mongo:- a que serviu de modelo devia ser feia)
noia:- pois
Mongo:- já conquistaste as aldeias que reservaste?
noia:- sim
noia:- devia apagar
Mongo:- vê mais aldeias ali a sul e reserva
noia:- amanhã
noia:- hoje estou imprópria
Mongo:- pois, tb eu)
Mongo:- adormeci depois do jantar e fiquei esquisito
noia:- eu bebi água demais
noia:- tou com barriga de água
Mongo:- )
Mongo:- já puseste as maias nas portas por causa do carrapato?)
noia:- xiii
noia:- na aldeia fazia isso
noia:- n tenho maias aqui
Mongo:- aqui no porto ainda se faz)
Mongo:- a minha mãe até pôs maias no meu carro)
noia:- e no dia das maias tinhamos que levantar cedo
Mongo:- )
noia:- ahah
noia:- gostei dessa da tua mãe
Mongo:- ela põe maias por todo o lado)
noia:- e faz muito bem
noia:- devemos fazer aquilo em que acreditamos
noia:- n és tu que dizes que és o lugar onde te sentes bem?
noia:- a tua mãe sente-se bem nesse lugar das maias
Mongo:- pois é)
Mongo:- ela curte as tradições
noia:- óptimo
noia:- a minha mãe queimava alecrim qd dava trovoada
noia:- e rezava a santa bárbara
Mongo:- a minha mãe tb tem uma série de superstições
Mongo:- até lhes perco a conta)
noia:- n te contei aquela cena da minha mãe de transportar a cama em dia de trovoada?
Mongo:- acho que não
noia:- então foi assim que aconteceu
noia:- a minha casa era de primeiro andar e os quartos eram em cima
noia:- um dia deu uma daquelas trovoadas pavorosas
noia:- a minha mãe resolveu desmanchar uma cama lá de cima e transportar para o res-do-chão
noia:- sabes como eram as camas antigas, uma trabalheira
Mongo:- eu sei)
noia:- então ela e nós pequenitos peça por peça veio a cama aos bocados para baixo
noia:- transportar o colchão foi uma saga
noia:- e nós uns a rir e os outrpos espantados
noia:- em baixo montamos a cama e qd finalmente estava montada deitamo-nos os seis na cama
noia:- vai daí deu um trovão tão grande que parecia que o mundo ia abaixo
noia:- a minha mãe deu um salto da cama e em pânico disse que era castigo de deus por termos transportado a cama
Mongo:- )
noia:- então, desmanchamos a cama, subimos, peça por peça montamos a cama e cada um foi dormir no seu quarto, entretanto já quase era manhã
Mongo:- eu tenho um primo que quando era puto e trovejava
Mongo:- dizia que era deus que nos estava a mastigar)
noia:- ahah
Mongo:- vou descansar
Mongo:- noia, hastaaaaaaaaaaaaa
Session Close Fri May
Metal Heart (p/ Chan Marshall)
Vil e brilhante coração,
A tua vilã dona entregou-se às autoridades.
O teu coração de metal... oxidou.
A tua vilã dona entregou-se às autoridades.
O teu coração de metal... oxidou.
17.8.09
Penso eu de que...
E se amanhã de manhã a bandeira azul e branca do Futebol Clube do Porto aparecesse hasteada no estádio da luz? Era brincadeira de rapazes ou eram os filhos da pauta das claques do Porto a provocar os bons rapazes do Benfica?
15.8.09
12.8.09
HELP!
pois é, meus caros amigos.
a dada altura, passei a desconfiar de quase todos os ISMOS.
não falo dos sismos ou dos abismos,
mas das ideias, das ideologias e dos movimentos artísticos e culturais, que levados muito a sério, e «ao peito», tornavam-nos - a eles e a nós - locais infrequentáveis, tóxicos fundamentalistas.
pois, dizia eu, tornei-me um acérrimo adepto da desconfiança.
criei um ismo, sem querer:
o «DESCONFIANCISMO».
e agora não sei como resolver esta contradição.
alguém ajuda?
a dada altura, passei a desconfiar de quase todos os ISMOS.
não falo dos sismos ou dos abismos,
mas das ideias, das ideologias e dos movimentos artísticos e culturais, que levados muito a sério, e «ao peito», tornavam-nos - a eles e a nós - locais infrequentáveis, tóxicos fundamentalistas.
pois, dizia eu, tornei-me um acérrimo adepto da desconfiança.
criei um ismo, sem querer:
o «DESCONFIANCISMO».
e agora não sei como resolver esta contradição.
alguém ajuda?
11.8.09
Olhos anfíbios
Em torno de um copo,
há um caldo de diamantes entornado,
sobre um caldo verde já esfriado,
sobras de um farto banquete no ilustre «Paquete do Amor», em Alto Mar-mor-to.
A misericórdia que a «Santa Casa of The Rising Sun» sente por mim comove-me.
Choro copiosamente.
Copio os choros desalmados de todas as almas deste mundo.
Elas, as «bordelinhas», que bordam a sedução a bordo do Paquete, têm piedade de mim.
Ele, meu Deus, tem piedade de mim.
A Pietá tem piedade de mim.
Até a tão nobre Piedade tem piedade de mim.
Enquanto vejo os Jogos da Santa Casa da Misericórdia na TV, rio-me à fartazana com os cânticos dos números profanos, quase gregorianos.
Enquanto perpasso a escuridão do túnel do Marquês, canto, de peito aberto, o Cântico dos Cânticos,
Enquanto, nas paredes intervencionadas por artistas de Nova Iorque e Vila Nova de Foz Côa, vejo imagens de Sade a beijar o dorso de um abade.
Há-de vir a Luz, há-de (creio).
Incandescente?
Em raio?
Florescente?
há um caldo de diamantes entornado,
sobre um caldo verde já esfriado,
sobras de um farto banquete no ilustre «Paquete do Amor», em Alto Mar-mor-to.
A misericórdia que a «Santa Casa of The Rising Sun» sente por mim comove-me.
Choro copiosamente.
Copio os choros desalmados de todas as almas deste mundo.
Elas, as «bordelinhas», que bordam a sedução a bordo do Paquete, têm piedade de mim.
Ele, meu Deus, tem piedade de mim.
A Pietá tem piedade de mim.
Até a tão nobre Piedade tem piedade de mim.
Enquanto vejo os Jogos da Santa Casa da Misericórdia na TV, rio-me à fartazana com os cânticos dos números profanos, quase gregorianos.
Enquanto perpasso a escuridão do túnel do Marquês, canto, de peito aberto, o Cântico dos Cânticos,
Enquanto, nas paredes intervencionadas por artistas de Nova Iorque e Vila Nova de Foz Côa, vejo imagens de Sade a beijar o dorso de um abade.
Há-de vir a Luz, há-de (creio).
Incandescente?
Em raio?
Florescente?
Viagens na minha terra
Medidor era a sua profissão.
Passou quase uma vida a medir a distância entre uma terra e outra com uma régua de vinte centímetros.
Sempre que se enganava voltava atrás.
Numa vida inteira nunca saiu da sua terra.
Nem sabia de que terra era.
Morreu.
Tiraram-lhe as medidas...
com uma régua de vinte centímetros.
Regressou à terra, ninguém sabe onde.
Conde Lírios
Passou quase uma vida a medir a distância entre uma terra e outra com uma régua de vinte centímetros.
Sempre que se enganava voltava atrás.
Numa vida inteira nunca saiu da sua terra.
Nem sabia de que terra era.
Morreu.
Tiraram-lhe as medidas...
com uma régua de vinte centímetros.
Regressou à terra, ninguém sabe onde.
Conde Lírios
10.8.09
The dark side of the man ou uma sombra conde lírios
Era um homem e a sua sombra. Cansada a sombra seguia o homem, subiam a colina. Era um dia de sol daqueles em que o ar quente até faz ondinhas no ar.
O homem caminhava um pouco curvado. A sombra arrastava-se colada a ele pelos pés, tão leve que não machucava a relva da colina, tomava antes a forma da relva, das pedras.
Era uma sombra delicada. Mas estava farta da sina de sombra de seguir o homem. E do sol que lhe mudava a forma. Ora ficava muito fininha, uma sombra giacometti mas sem o nariz de pinóquio, ora uma sombra gorda botero mas sem cor. Com tanta luz e ficava sempre escura. E decidiu que queria parar, descansar. Apanhou uma pedrita do chão e atirou nas costas do homem. Este virou-se e estranhou não ver ninguém. Mas a sombra falou. Deixa-me ficar aqui, disse-lhe. O homem levantou um braço, coçou a cabeça. E a sombra, contrariada levantou também um braço. O homem respondeu, não posso deixar-te ir, um homem tem que ter sombra. Talvez tu sejas o meu lado escuro. Repara que quanto mais luz, mais sombra. Com pouca luz mal te distingo, ficas difusa. Com muita luz consigo ver-te melhor. Sei-me melhor.
E lá continuaram até ao cimo da colina onde o homem se sentou debaixo de uma arvore, adormeceu e a sombra descansou.
A sombra acordou primeiro do que o homem empurrada pelo movimento de rotação da Terrra.
Olhou para o homem, inerte, quase como morto... mas o que era aquela névoa azulada que lhe escorria da fronte?
Talvez seja um sonho, pensou.
A sombra recuou dois passos, franziu as sobrancelhas e ficou a mirar o homem por mais uns segundos.
Nunca lhe tinha ocorrido que o homem tivesse sonhos.
O homem caminhava um pouco curvado. A sombra arrastava-se colada a ele pelos pés, tão leve que não machucava a relva da colina, tomava antes a forma da relva, das pedras.
Era uma sombra delicada. Mas estava farta da sina de sombra de seguir o homem. E do sol que lhe mudava a forma. Ora ficava muito fininha, uma sombra giacometti mas sem o nariz de pinóquio, ora uma sombra gorda botero mas sem cor. Com tanta luz e ficava sempre escura. E decidiu que queria parar, descansar. Apanhou uma pedrita do chão e atirou nas costas do homem. Este virou-se e estranhou não ver ninguém. Mas a sombra falou. Deixa-me ficar aqui, disse-lhe. O homem levantou um braço, coçou a cabeça. E a sombra, contrariada levantou também um braço. O homem respondeu, não posso deixar-te ir, um homem tem que ter sombra. Talvez tu sejas o meu lado escuro. Repara que quanto mais luz, mais sombra. Com pouca luz mal te distingo, ficas difusa. Com muita luz consigo ver-te melhor. Sei-me melhor.
E lá continuaram até ao cimo da colina onde o homem se sentou debaixo de uma arvore, adormeceu e a sombra descansou.
A sombra acordou primeiro do que o homem empurrada pelo movimento de rotação da Terrra.
Olhou para o homem, inerte, quase como morto... mas o que era aquela névoa azulada que lhe escorria da fronte?
Talvez seja um sonho, pensou.
A sombra recuou dois passos, franziu as sobrancelhas e ficou a mirar o homem por mais uns segundos.
Nunca lhe tinha ocorrido que o homem tivesse sonhos.
8.8.09
Fatalismos
Era um homem que queria não ter nascido.
Nasceu de uma cena de ciumes e achava injusto não ter sido consultado antes do acto de que nasceu.
Andou a remoer naquilo até que decidiu. Procurou na ponta do pé e encontrou a ponta do fio do remate final de quando o fabricaram. Puxou o fiozinho e foi fazendo um novelo, puxando e novelando. Primeiro os pés, depois as pernas até aos joelhos. Reparou que estava a ficar mais baixinho. Reparou também que já não conseguia dar saltinhos para olhar pela janela. Fixe, resulta. Então continuou a desmanchar-se e a novelar-se.
Quando só sobravam as mãos, apertou com força o novelo de si e atirou-se exactamente para o dia 13 de fevereiro de 1960.
Caíu exactamente no meio da cena de ciúmes da qual tinha nascido.
Estavam à espera. A cena de ciúmes não podia arrancar sem ele.
Nasceu de uma cena de ciumes e achava injusto não ter sido consultado antes do acto de que nasceu.
Andou a remoer naquilo até que decidiu. Procurou na ponta do pé e encontrou a ponta do fio do remate final de quando o fabricaram. Puxou o fiozinho e foi fazendo um novelo, puxando e novelando. Primeiro os pés, depois as pernas até aos joelhos. Reparou que estava a ficar mais baixinho. Reparou também que já não conseguia dar saltinhos para olhar pela janela. Fixe, resulta. Então continuou a desmanchar-se e a novelar-se.
Quando só sobravam as mãos, apertou com força o novelo de si e atirou-se exactamente para o dia 13 de fevereiro de 1960.
Caíu exactamente no meio da cena de ciúmes da qual tinha nascido.
Estavam à espera. A cena de ciúmes não podia arrancar sem ele.
7.8.09
mornig-glory-story
"blitz" a complicar o dia - ainda mal depertei, tenho o cliché de um olho aberto e outro fechado - Verão & chuva - sinto macacos na pele - urbanismo é mais um ismo na minha vida:ismo - lavei os pés - ignorei o carteiro - desfiz-me da pele ao pequeno-almoço - morgen... beijo beijo, - pastilha-elástica ou chiclet? - sapatilhas castanhas e desço as escadas sem guarda-chuva - Autocarro a transpirar mil.e.um.cheiro (agrada-me) - telemovel=chatisse - Echo & the Bunnymen a ecoar na cabeça, ainda da noite passada - cão transeunte - cão chapitô - mornig-glory-story
6.8.09
Morna-Morning
Dançamos morna num fim-de-tarde morno.
Cabo Verde está azul, melancólico, taciturno.
(Vira-vira o turno, seu gatuno)
Morna morning em lá e ré menor.
O Sol Maior virou-nos as costas.
Tu és, por esta altura, ré num processo absurdo (por usares calças!).
E eu acabei de me afogar, nu, sem pé.
Morro na praia, com muito dó...
Não resolvi a tempo a cãimbra no pé.
Provavelmente para me safar bastava... não estar só.
Cabo Verde está azul, melancólico, taciturno.
(Vira-vira o turno, seu gatuno)
Morna morning em lá e ré menor.
O Sol Maior virou-nos as costas.
Tu és, por esta altura, ré num processo absurdo (por usares calças!).
E eu acabei de me afogar, nu, sem pé.
Morro na praia, com muito dó...
Não resolvi a tempo a cãimbra no pé.
Provavelmente para me safar bastava... não estar só.
5.8.09
a grande cagada
Entre cagar e sexar, escolho cagar.
Cagalhão não tem ego.
No fim não tenho que abraçar o cagalhão
e dizer que foi bom.
Mesmo que tenha sido uma grande cagada.
Cagalhão não tem ego.
No fim não tenho que abraçar o cagalhão
e dizer que foi bom.
Mesmo que tenha sido uma grande cagada.
30.7.09
a pensar em gauguin, às vezes dá-me para pensar dahh
se eu não sei de onde vim,
também não me vou preocupar
com o não-lugar para onde
não vou.
qçalixe
andava tão bem a poupar os neurónios
e agora deu-me p isto
também não me vou preocupar
com o não-lugar para onde
não vou.
qçalixe
andava tão bem a poupar os neurónios
e agora deu-me p isto
Resultados Eleitorais - 2013
coligação«abstenção+abstenção» - 96%
votos em branco + nulos - 2%
p.s.d.
p.s.
b.e.
p.c.p.
c.d.s.p.p.
m.e.p.
m.m.s.
p.h.
p.n.d.
p.n.r.
etc. - 1,9%
...
sufrágio universal - 0,1%
votos em branco + nulos - 2%
p.s.d.
p.s.
b.e.
p.c.p.
c.d.s.p.p.
m.e.p.
m.m.s.
p.h.
p.n.d.
p.n.r.
etc. - 1,9%
...
sufrágio universal - 0,1%
23.7.09
um sonho lógico
Esta noite vi, num sonho meu,
um jardim zoológico de humanos.
Eles eram tantos ali metidos.
Estava atulhado.
Informaram-me que
era para onde mandavam
os ex-governantes
que se tinham portado mal
durante a governação.
Esfrangalhei-me toda
com tanto democrata lá metido.
Estavam vestidos de
cueca, meias
e sapatos.
Dizem os tratadores
que, quando completamente nús,
parecem macacos menos peludos.
Até no comportamento.
Olha a novidade!
E
nem é preciso
estarem no zoológico.
Havia numa zona nova
que, segundo me informaram
irá ser ocupada
no próximo Outono.
A ber, a ber.
Vou marcar novo sonho,
lá mais
para
o tempo
fresco.
(a cobra)
...
(o sonho é doido varrido;
para ele não há embaraços)
Saul Dias
...
um jardim zoológico de humanos.
Eles eram tantos ali metidos.
Estava atulhado.
Informaram-me que
era para onde mandavam
os ex-governantes
que se tinham portado mal
durante a governação.
Esfrangalhei-me toda
com tanto democrata lá metido.
Estavam vestidos de
cueca, meias
e sapatos.
Dizem os tratadores
que, quando completamente nús,
parecem macacos menos peludos.
Até no comportamento.
Olha a novidade!
E
nem é preciso
estarem no zoológico.
Havia numa zona nova
que, segundo me informaram
irá ser ocupada
no próximo Outono.
A ber, a ber.
Vou marcar novo sonho,
lá mais
para
o tempo
fresco.
(a cobra)
...
(o sonho é doido varrido;
para ele não há embaraços)
Saul Dias
...
21.7.09
20.7.09
19.7.09
Loser Baby"
Alguém dizia, «Não ouviste o aquecedor»
.
E diziam, para-a-casa-amarela
.
Tu dizias, obscuro
Eu dizia, pseudo carinhosa-mente
.
Tu escrevias
Eu escrevia
.
Eu diziam, conformado.
Tu diziam, revoltado
.
Eu dizia, urina-lhe para a boca
Tu dizias, vinte e seis
.
Eu digo, "loser baby"?
E tu, que dizes?
.
E diziam, para-a-casa-amarela
.
Tu dizias, obscuro
Eu dizia, pseudo carinhosa-mente
.
Tu escrevias
Eu escrevia
.
Eu diziam, conformado.
Tu diziam, revoltado
.
Eu dizia, urina-lhe para a boca
Tu dizias, vinte e seis
.
Eu digo, "loser baby"?
E tu, que dizes?
18.7.09
Lost
tu, diziam, padecias, diziam, de «borderline».
eu, diziam, sofria, diziam, de «transtorno obsessivo-compulsivo».
éramos loucos, excessivos, mas permanente e intensamente criativos.
compreendíamo-nos, apesar das dores (patologicamente empáticos?)...
agora, dizem, estamos curados, e,
digo, somos apenas monótonos, desinteressantes, bacocos.
eu, diziam, sofria, diziam, de «transtorno obsessivo-compulsivo».
éramos loucos, excessivos, mas permanente e intensamente criativos.
compreendíamo-nos, apesar das dores (patologicamente empáticos?)...
agora, dizem, estamos curados, e,
digo, somos apenas monótonos, desinteressantes, bacocos.
17.7.09
Qual O Teu Capital Especulativo?
R1: Os tele-anarquistas («é violento, protesta, é anarquista», lá vão simplificando alguns jornalistas) que aparecem nas tele-manifestações anti-capitalismo e anti-globalização são indivíduos infiltrados, contratados por anarco-capitalistas para o tele-folclore, para a tele-mitificação. No final, a opinião pública desvaloriza o que está, de facto, em causa, e restam as imagens de tele-sangue e das tele-bastonadas e... a culpa é dos anarquistas. Resta saber de que anarquistas.
Mar
Mar
a-mar azul
mar a mar a mar
a-mar com peixes GIGANTES
mar
mar de todas as cores
mar a mar a mar
Autoria: DizTânia e Ed Ude
.
a-mar azul
mar a mar a mar
a-mar com peixes GIGANTES
mar
mar de todas as cores
mar a mar a mar
Autoria: DizTânia e Ed Ude
.
14.7.09
7.7.09
manguitos e pontapés
Eu ando por aí
a
fazer manguitos,
que
prefiro aos corninhos,
a ver
se
passo a ser notícia
de
primeira página,
abertura de telejornal.
E a treinar pontapés
...
nas bolas.
Parece
que
não chego lá.
Estes humanos são loucos.
E a cobra sou eu?
a
fazer manguitos,
que
prefiro aos corninhos,
a ver
se
passo a ser notícia
de
primeira página,
abertura de telejornal.
E a treinar pontapés
...
nas bolas.
Parece
que
não chego lá.
Estes humanos são loucos.
E a cobra sou eu?
5.7.09
HOMEM
Homem solitário
com cabelo de ovelha às-riscas
lã com gema.
bico quadrado.
De um cabelo de lã-zebra-azul
homem comedor de dentes
ao vapor
comedor de caixas-vidro
uvas falantes
vêm
em cima de árvores
.
têm letras claras
letras de côr com gelo
olham, para o lago branco
com flores d´olhos
vêm as unhas esmagadas
no meio
como se fossem peixes
Autoria: DizTânia
.
com cabelo de ovelha às-riscas
lã com gema.
bico quadrado.
De um cabelo de lã-zebra-azul
homem comedor de dentes
ao vapor
comedor de caixas-vidro
uvas falantes
vêm
em cima de árvores
.
têm letras claras
letras de côr com gelo
olham, para o lago branco
com flores d´olhos
vêm as unhas esmagadas
no meio
como se fossem peixes
Autoria: DizTânia
.
2.7.09
30.6.09
marcas pop
hip.hop.otamo.
átomo.
omo.
lomo.
gomo.
gin.tonic.
bic.
phonik.
avic.
avic.moi.
ikea.
ya.
epá.
porreiro.pá.
benetton.
tom.jobim.
amon.tobim.
bimbo.
limbo.
cool.
álcool.
col.gate.
watergate.
amei-te.
pin.
pino.
pina.bausch.
bosch.
de.bosch.
al.
all.
all.garve.
all.arve.
pirata-bay.
bay-tata.
bata.
gola.
barata.
nem.ata.nem.desata.
fetal.
eta.
ética.
etic.
etcetera.
& tal.
átomo.
omo.
lomo.
gomo.
gin.tonic.
bic.
phonik.
avic.
avic.moi.
ikea.
ya.
epá.
porreiro.pá.
benetton.
tom.jobim.
amon.tobim.
bimbo.
limbo.
cool.
álcool.
col.gate.
watergate.
amei-te.
pin.
pino.
pina.bausch.
bosch.
de.bosch.
al.
all.
all.garve.
all.arve.
pirata-bay.
bay-tata.
bata.
gola.
barata.
nem.ata.nem.desata.
fetal.
eta.
ética.
etic.
etcetera.
& tal.
29.6.09
Sussurro-Lirismo (Para o Buñuel)
rasgo o olho esquerdo com uma pena de corvo.
chego ao cérebro, após quebrar a casca da noz.
esmago o miolo, como quem esgama um tomate.
e enquanto isso:
um cão, cauda iluminada, pirilâmpica, de Andaluz, anda à solta nas minhas costas.
mija, sobre o meu «costedo», um poema que não consigo ler (nem ao espelho),
entretanto:
vou fumando um salmão,
nas brasas quentes, estendidas na palma da minha mão.
e sussurro...
su-su-rro:
«lirismo»
chego ao cérebro, após quebrar a casca da noz.
esmago o miolo, como quem esgama um tomate.
e enquanto isso:
um cão, cauda iluminada, pirilâmpica, de Andaluz, anda à solta nas minhas costas.
mija, sobre o meu «costedo», um poema que não consigo ler (nem ao espelho),
entretanto:
vou fumando um salmão,
nas brasas quentes, estendidas na palma da minha mão.
e sussurro...
su-su-rro:
«lirismo»
Servidão XXI
A - ainda não te disse de quem sou agora servo?
B - não.
A - toca-me. sou servo de uma figura proeminente de Portugal.
B - e isso deixa-te assim tão feliz?
A- camandro, quando souberes quem é, deixas logo essas dúvidas de lado.
B - quanto recebes?
A - uns trocos apenas... mas o que é que isso interessa se esses trocos vêm das mãos do DR. SR. MEU PATRÃO Bmiro?
B- ...
A- o que foi? estás assim por não ter conseguido o emprego numa fábrica do ilustre Amoim?
B - ... ele não te disse que tu és um dos responsáveis por esta crise?
A - algo do género, mas ser responsável por uma Sr. Crise Histórica não é um motivo de orgulho?
B - se és feliz assim, quem sou eu para dizer o contrário...
B - não.
A - toca-me. sou servo de uma figura proeminente de Portugal.
B - e isso deixa-te assim tão feliz?
A- camandro, quando souberes quem é, deixas logo essas dúvidas de lado.
B - quanto recebes?
A - uns trocos apenas... mas o que é que isso interessa se esses trocos vêm das mãos do DR. SR. MEU PATRÃO Bmiro?
B- ...
A- o que foi? estás assim por não ter conseguido o emprego numa fábrica do ilustre Amoim?
B - ... ele não te disse que tu és um dos responsáveis por esta crise?
A - algo do género, mas ser responsável por uma Sr. Crise Histórica não é um motivo de orgulho?
B - se és feliz assim, quem sou eu para dizer o contrário...
18.6.09
16.6.09
Em Absurdina
Mata-me em absurdina.
Afoga-me em absurdina.
Rapa-me os pelos em absurdina.
Come-me os timpanos em absurdina.
Regurgita-me em absurdina.
Lambe-me em absurdina.
Faz-me-o-amor-em-absurdina.
Mas nao te deixes cair em tentacao.
Afoga-me em absurdina.
Rapa-me os pelos em absurdina.
Come-me os timpanos em absurdina.
Regurgita-me em absurdina.
Lambe-me em absurdina.
Faz-me-o-amor-em-absurdina.
Mas nao te deixes cair em tentacao.
15.6.09
13.6.09
Avitaminose
Nasceu-me um furúnculo no pacote do leite mesmo ali junto da tampinha. A mimosa andava com falta de vitaminas.
11.6.09
Bosque Azul
Actuou espontaneamente, para nós, no Bosque Azul, a Orquestra Sinfónica das Moscas. Sem decreto, veto, nem protocolo.
Seguiu-se-lhe o embriagado embriagante Coro dos Mafarricos - em ambiente intimista, num anfiteatro anfíbio do ermo [um ex-exílio asilo de enfermos e ditos loucos, ou hiper-lúcidos].
Após um silêncio ensurdecedor e insurgente, um «finale» em grito mudo feriu os tímpanos do leão, que lambia os testículos, junto da sua amada efémera, a sete segundos da morte.
Os monges eremitas de Ermida estavam lá, como interiores domésticos tétricos e herméticos.
As prostitutas das Red Lights deste mundo peregrinaram até ali também.
Coube-lhes a virgem «acção» de acender os néons da redenção.
Respondeu à chamada uma criatura de palmo e meio chamada Sininho Björk-Monk. Ensinou-nos a miar pelos sovacos e a assobiar pelo nariz.
E depois cerrámos os olhos e sonhámos com as lentes de contacto deste mundo.
Está baço, o vidro do carro. Está baço.
Seguiu-se-lhe o embriagado embriagante Coro dos Mafarricos - em ambiente intimista, num anfiteatro anfíbio do ermo [um ex-exílio asilo de enfermos e ditos loucos, ou hiper-lúcidos].
Após um silêncio ensurdecedor e insurgente, um «finale» em grito mudo feriu os tímpanos do leão, que lambia os testículos, junto da sua amada efémera, a sete segundos da morte.
Os monges eremitas de Ermida estavam lá, como interiores domésticos tétricos e herméticos.
As prostitutas das Red Lights deste mundo peregrinaram até ali também.
Coube-lhes a virgem «acção» de acender os néons da redenção.
Respondeu à chamada uma criatura de palmo e meio chamada Sininho Björk-Monk. Ensinou-nos a miar pelos sovacos e a assobiar pelo nariz.
E depois cerrámos os olhos e sonhámos com as lentes de contacto deste mundo.
Está baço, o vidro do carro. Está baço.
Ego...
...ismo
..tismo
...latria
Ter-se em grande conta.
Ceguetas.
O meu carro é melhor que o teu.
A caganita da (s)(t)personalidade.
10.6.09
Arrequéburro..
Nem sei porque fazem eleições.
Nada mudou, nem a pia nem os porcos.
Tão arrogantes, tão donos de certezas.
Plutocracia!
Mais do mesmo.
Com D ou sem D, são iguais.
Um manguito não para eles mas nós, os masoquistas.
Hoje é o dia de festejar o passsado, certo?
De quando eramos bons na degola, no transporte de escravos e a surripiar especiarias, difundindo a fé, claro.
Absurdamente xicuspertos, absurdamente burros.
Mispanto, mavergonho.
Nada mudou, nem a pia nem os porcos.
Tão arrogantes, tão donos de certezas.
Plutocracia!
Mais do mesmo.
Com D ou sem D, são iguais.
Um manguito não para eles mas nós, os masoquistas.
Hoje é o dia de festejar o passsado, certo?
De quando eramos bons na degola, no transporte de escravos e a surripiar especiarias, difundindo a fé, claro.
Absurdamente xicuspertos, absurdamente burros.
Mispanto, mavergonho.
E depois de «Café & Cigarros»...
Jim Jarmusch realiza o filme-documentário «Empalhada de tremoços, amendoins e azeitonas», com...
[depositar nomes dos interlocutores-actores e diálogos na caixa de «comentários»]
[depositar nomes dos interlocutores-actores e diálogos na caixa de «comentários»]
8.6.09
social-partidocracia-melancia
parti os partidos ao meio, como se fossem uma melancia.
e eis as rimas que encontrei:
aparelhismo carneirismo
cadeirismo ceguismo
conveniente militância e
(alguma) conivente ganância.
e um canivete.
e um ventre de gráficos, bandeiras e soundbytes.
e sementes?
uma ou outra, mas especialmente:
mentes - dormentes - com todos os dentes (doentes).
e a melancia, com a sua militante elegância, beija-me os lábios e sussura-me ao ouvido:
«seu pateta idealista, é a festa da partidocracia,
travestida de democracia».
mas eu não me chamo salazar.
sou apenas um cidadão,
um coração partido a falar.
e eis as rimas que encontrei:
aparelhismo carneirismo
cadeirismo ceguismo
conveniente militância e
(alguma) conivente ganância.
e um canivete.
e um ventre de gráficos, bandeiras e soundbytes.
e sementes?
uma ou outra, mas especialmente:
mentes - dormentes - com todos os dentes (doentes).
e a melancia, com a sua militante elegância, beija-me os lábios e sussura-me ao ouvido:
«seu pateta idealista, é a festa da partidocracia,
travestida de democracia».
mas eu não me chamo salazar.
sou apenas um cidadão,
um coração partido a falar.
Quarto
folhas de jornais
é feito o meu tapete
roxo às riscas amarelas
como o vento quando voa
vagueando por meu quarto
espelho dançante
quando tudo se junta
nuvens incandescentes invandem meu quarto
Autoria: DizTânia
6.6.09
5.6.09
4.6.09
Duchamp Urinol
É Ducamandro.
Dadaísmo.
Guguísmo
Xexeísmo.
O urinol vai nu.
Cá de mim gosto de letra verdana, é arte.
Dadaísmo.
Guguísmo
Xexeísmo.
O urinol vai nu.
Cá de mim gosto de letra verdana, é arte.
2.6.09
Cantina Indie Experimental Trash - Ementa 3/6
aparas de lápis de cor vermelhas e azuis +
caroços de maçã reineta +
cortiça mestiça +
+ CO2 emitido pelos carros em trânsito, ao largo da Cantina.
caroços de maçã reineta +
cortiça mestiça +
+ CO2 emitido pelos carros em trânsito, ao largo da Cantina.
«Haverá sangue»
Lavar os pés com sangue.
Foi o seu passatempo predilecto, enquanto o teve.
Começou pelo ketchup,
Como um truque cinematográfico,
Mas quis levar a coisa até à mais real sensação.
Foi aí que Ofélia iniciou o seu fim.
Morreu afogada no seu próprio sangue.
Era bela Ofélia, era bela, Ela.
Foi o seu passatempo predilecto, enquanto o teve.
Começou pelo ketchup,
Como um truque cinematográfico,
Mas quis levar a coisa até à mais real sensação.
Foi aí que Ofélia iniciou o seu fim.
Morreu afogada no seu próprio sangue.
Era bela Ofélia, era bela, Ela.
Entrou no café de pijama, barrete, duas tranças no cabelo, a cachorra a espreitar debaixo do braço.
Pediu um café.
Tinha acabado de matar o amante.
Dizia ele que eram amantes, aqueles que se amam.
Comiam juntos, dormiam juntos, falavam de generalidades umas poucas vezes por ano quando ela se deslocava em viagem.
Não havia tempo para mais.
Matou-o e só lhe apetecia um café e um cigarro.
No bolso o anel que ele lhe oferecera ao jantar.
28.5.09
a aRte
A cobaia Andy Warholiana teceu uma teia a fios de Pollock e ao som de Velvet assassinou dias mais tarde Basquiat junto a um mural acabado de ser mijado por mais um critico desempregado.
Clap x3
Clap, clap, clap...
(Batiam palmas)
O cavalo triunfante galopa arduamente.
Branco é o cavalo.
Purpura o cavaleiro.
- Mija-lhe pra boca! Alguém Gritou.
- Não que o patrão é meigo! Alguém respondeu.
Bebi coca-cola e assisti a esse basquetbol.
Fiquei sonolento,
e tornei-me paciente.
(Batiam palmas)
O cavalo triunfante galopa arduamente.
Branco é o cavalo.
Purpura o cavaleiro.
- Mija-lhe pra boca! Alguém Gritou.
- Não que o patrão é meigo! Alguém respondeu.
Bebi coca-cola e assisti a esse basquetbol.
Fiquei sonolento,
e tornei-me paciente.
26.5.09
25.5.09
Gosto de comboios.
Gosto do cheiro das estações a ferro, a ferrugem, da lufada de cheiro dos bares de estação no meio do cheiro da ferrugem.
Do ir em viagem, sair numa qualquer estação a estrear, ainda por explorar.
Não gosto nada é de estações terminais.
Se eu fosse maquinista arrancava com o comboio pela cidade fora e obrigava a linha e nunca ter fim.
Digam lá que nunca pensaram nisso!
Eu penso nisso sempre que chego a Santa Apolónia. É feia, é terminal.
Porque vos conto isto?
Gosto de pensamentos inúteis.
:)
Gosto do cheiro das estações a ferro, a ferrugem, da lufada de cheiro dos bares de estação no meio do cheiro da ferrugem.
Do ir em viagem, sair numa qualquer estação a estrear, ainda por explorar.
Não gosto nada é de estações terminais.
Se eu fosse maquinista arrancava com o comboio pela cidade fora e obrigava a linha e nunca ter fim.
Digam lá que nunca pensaram nisso!
Eu penso nisso sempre que chego a Santa Apolónia. É feia, é terminal.
Porque vos conto isto?
Gosto de pensamentos inúteis.
:)
24.5.09
23.5.09
«Just a color to her»
Não era: «Just a color to her»
Era mais um salto no asfalto do shopping mall.
Mais uma corrida destemida na procura da malla cor-de-combina-com:
A empregada da limpeza interrompe a estrada...
E a cor da sua cara desbotou,
Alguém primeiro lá chegou.
Era mais um salto no asfalto do shopping mall.
Mais uma corrida destemida na procura da malla cor-de-combina-com:
A empregada da limpeza interrompe a estrada...
E a cor da sua cara desbotou,
Alguém primeiro lá chegou.
22.5.09
21.5.09
NO EXIT
«Há festa na aldeia», alguém anuncia, lá ao fundo, via megafone.
Acrescentam: «Cabeças-de-cartaz: Sr. Hulot & Sr. Charlot, juntos, pela primeira vez».
E eu digo: «Merda! E eu aqui trancado na cidade feia...»
Acrescentam: «Cabeças-de-cartaz: Sr. Hulot & Sr. Charlot, juntos, pela primeira vez».
E eu digo: «Merda! E eu aqui trancado na cidade feia...»
20.5.09
a evolução das invejas
Deus criou adão, lilith e eva. Criou a bigamia, portanto.
Veio o Darwin e criou pardais e outras espécies só para provar que deus não criou porra nenhuma.
Veio o Darwin e criou pardais e outras espécies só para provar que deus não criou porra nenhuma.
17.5.09
16.5.09
7.5.09
cãO
Tive pena de um cão com penas
na rua abandonado
laranja
às riscas verdes
como zebras quando se assustam
patas-de-leao-amarelas-com-mais-que-folhas
comedor de dentes-de-galinha
comedor de dentes-de-galo
era
agora come seus pêlos-laranja
Olha para um lago de vapor vermelho,
olha
mergulha,
tenta apanhar peixes,
tenta apanhar
voadores com penas escamosas,
não apanha nada
e
acaba por dormir nas árvores de gelo।
Autoria: DizTânia
na rua abandonado
laranja
às riscas verdes
como zebras quando se assustam
patas-de-leao-amarelas-com-mais-que-folhas
comedor de dentes-de-galinha
comedor de dentes-de-galo
era
agora come seus pêlos-laranja
Olha para um lago de vapor vermelho,
olha
mergulha,
tenta apanhar peixes,
tenta apanhar
voadores com penas escamosas,
não apanha nada
e
acaba por dormir nas árvores de gelo।
Autoria: DizTânia
4.5.09
E ele disse...
Quando for grande, quero ser uma mistura de Tom Sawyer, Mafalda, Bart Simpson e Pipi das Meias Altas.
E ela disse: Nunca mais cresces.
E ela disse: Nunca mais cresces.
3.5.09
BERLIN: KINO STORIES
E eis que um rapaz pára junto a mim, sobre a ponte Kottbusser, e pergunta-me onde é a X-Strasse.
Lá lhe disse a direcção, sem grande pachorra. Estava irritado por ter perdido a oportunidade de entrar numa peça de teatro, mas... conhecia minimamente a rua em questão.
Em vez de se ficar pelo «Danke schön», o tipo, jovem e franzino, pergunta-me se eu não era um actor de uma peça reportada pela TV há uns anos, levada a cena por um grupúsculo de teatro do qual faço parte, chamado precisamente «Die Idioten Amateurs».
«Ja, mann. Das bin ich», respondi, irritado pelo tempo desperdiçado.
Começou com aquela balela merdosa de fã do tipo «Serviste-me de inspiração para um filme em que participei».
Lá tentei mostrar interesse na coisa. Fingir é o verbo e a verbe de um actor a sério. «Em que filme entraste?», perguntei.
«Goodbye Lenin» e «Os Edukadores», respondeu encolhendo os braços, enquanto se despedia.
«OK, hei-de pesquisar», disse-lhe...
Alguém conhece o rapaz?
Não é que não dê crédito a actores anónimos - eu também o sou -, mas não me apetece ir à net ver quem o bacano.
Chama-se Brühl, Daniel Brühl, pelos vistos...
Nota: Parte desta história é verídica. O rapazito viu-me mesmo, sobre uma ponte, em Berlim.
Lá lhe disse a direcção, sem grande pachorra. Estava irritado por ter perdido a oportunidade de entrar numa peça de teatro, mas... conhecia minimamente a rua em questão.
Em vez de se ficar pelo «Danke schön», o tipo, jovem e franzino, pergunta-me se eu não era um actor de uma peça reportada pela TV há uns anos, levada a cena por um grupúsculo de teatro do qual faço parte, chamado precisamente «Die Idioten Amateurs».
«Ja, mann. Das bin ich», respondi, irritado pelo tempo desperdiçado.
Começou com aquela balela merdosa de fã do tipo «Serviste-me de inspiração para um filme em que participei».
Lá tentei mostrar interesse na coisa. Fingir é o verbo e a verbe de um actor a sério. «Em que filme entraste?», perguntei.
«Goodbye Lenin» e «Os Edukadores», respondeu encolhendo os braços, enquanto se despedia.
«OK, hei-de pesquisar», disse-lhe...
Alguém conhece o rapaz?
Não é que não dê crédito a actores anónimos - eu também o sou -, mas não me apetece ir à net ver quem o bacano.
Chama-se Brühl, Daniel Brühl, pelos vistos...
Nota: Parte desta história é verídica. O rapazito viu-me mesmo, sobre uma ponte, em Berlim.
22.4.09
Coleccionador «Guiness»
Brado, preparado para as mais inflamadas críticas:
SOU O MAIS COMPLETO COLECCIONADOR DO MUNDO.
Não, não é subjectividade, não é imodéstia, não é loucura, nem idiotice afirmá-lo.
Colecciono apenas todos os coleccionadores do mundo e respectivas colecções.
SOU O MAIS COMPLETO COLECCIONADOR DO MUNDO.
Não, não é subjectividade, não é imodéstia, não é loucura, nem idiotice afirmá-lo.
Colecciono apenas todos os coleccionadores do mundo e respectivas colecções.
13.4.09
Toponímia Catastrofista
Ex-Petrogrado, Leninegrado deu lugar a São Petersburgo, que, em breve, passará a designar-se Falido-De-Bom-Grado.
Vanguarda deu lugar a Guarda. Em breve, passará a Recta-Guarda.
Mundo, dentro de instantes, dará lugar a Fundo.
Vanguarda deu lugar a Guarda. Em breve, passará a Recta-Guarda.
Mundo, dentro de instantes, dará lugar a Fundo.
11.4.09
Zappa Zappin'
sim, é hora de mandar as horas, os minutos, os segundos «speedescos» às urtigas.
sim, estou zangado e senil.
a máquina trituradora assim me fez:
velhíssimo, insolente, melancólico, vinagrento, sem sonhos.
em suma: a esticar o pernil.
e ainda só tenho 17 anos.
acho que chegou o tempo de fazer marcha a ré até ao tempo sem tempo
da preguiça, do caos, da indefinição, da matreirice libertária,
na ignorância saudável.
tenho 18 anos.
19, 20, 21.
e voltei às fraldas, desta vez de homem grande, XXL,
compradas na grande superfície cheia de gente triste.
a máquina registadora assim nos fez.
dá-me um lápis de cera, uma folha de papel.
gosto do cheiro. do toque.
serei um enfant surrealista,
sem consciência, nem «logos».
só quero legos! legos! legos!
e vocês, fantoches adultos, vão lá tratar dos vossos egos.
não vou trabalhar.
não vou trabalhar.
que prazer nada fazer.
melhor do que um orgasmo é este posto:
a primeira baba.
as primeiras papas,
a primeira cagada em público.
o riso enquanto me limpam.
(ah, e não me chamem pós-abjeccionista, cínico ou hiperactivo.
sou só um puto a chegar aos primeiros segundos de vida).
é «bonito», não é? como todos os bebés?
não mintas, seu adulto farsolas.
diz-me na cara, seu cara de pau, que feio sou... e paga-me um Epá.
sim, estou zangado e senil.
a máquina trituradora assim me fez:
velhíssimo, insolente, melancólico, vinagrento, sem sonhos.
em suma: a esticar o pernil.
e ainda só tenho 17 anos.
acho que chegou o tempo de fazer marcha a ré até ao tempo sem tempo
da preguiça, do caos, da indefinição, da matreirice libertária,
na ignorância saudável.
tenho 18 anos.
19, 20, 21.
e voltei às fraldas, desta vez de homem grande, XXL,
compradas na grande superfície cheia de gente triste.
a máquina registadora assim nos fez.
dá-me um lápis de cera, uma folha de papel.
gosto do cheiro. do toque.
serei um enfant surrealista,
sem consciência, nem «logos».
só quero legos! legos! legos!
e vocês, fantoches adultos, vão lá tratar dos vossos egos.
não vou trabalhar.
não vou trabalhar.
que prazer nada fazer.
melhor do que um orgasmo é este posto:
a primeira baba.
as primeiras papas,
a primeira cagada em público.
o riso enquanto me limpam.
(ah, e não me chamem pós-abjeccionista, cínico ou hiperactivo.
sou só um puto a chegar aos primeiros segundos de vida).
é «bonito», não é? como todos os bebés?
não mintas, seu adulto farsolas.
diz-me na cara, seu cara de pau, que feio sou... e paga-me um Epá.
9.4.09
Abrigo Dental
no meu dente-vitral engarrafo carne, cereais e vegetais para eventuais tempos de fome...
antes que a crise me obrigue a vender mais um dente.
antes que a crise me obrigue a vender mais um dente.
3.4.09
Pássaro azul de patas roxas
Estava a olhar o pássaro azul de patas roxas quando fui interrompido pelo polícia que na cabeça em vez do chapéu trazia uma pomba.
- Muito bom dia senhor cidadão
- Bom dia senhor guarda fazedor do cumprimento dos deveres dos cidadãos mais distraídos e aborrecidos.
- Senhor cidadão é com máxima veemência que hoje o terei de multar para que no futuro não volte a errar.
- Mas porquê senhor oficial? Que fiz eu de errado?
- O senhor cidadão sem qualquer preocupação observava o pássaro azul de patas roxas.
- E que tem isso de errado?
- Hoje é proibido observar o pássaro azul de patas roxas de pernas para o ar no meio de praça pública. Para eu não o autuar terá de se deslocar para outro lugar. E é de forma mais familiar e a sussurrar lhe digo que me está a incomodar por me estar assim a observar. Não sou estátua de jardim público…
Fui-me embora de mansinho, sem o perturbar, a pomba da sua cabeça estava-lhe no uniforme a cagar!!!
- Muito bom dia senhor cidadão
- Bom dia senhor guarda fazedor do cumprimento dos deveres dos cidadãos mais distraídos e aborrecidos.
- Senhor cidadão é com máxima veemência que hoje o terei de multar para que no futuro não volte a errar.
- Mas porquê senhor oficial? Que fiz eu de errado?
- O senhor cidadão sem qualquer preocupação observava o pássaro azul de patas roxas.
- E que tem isso de errado?
- Hoje é proibido observar o pássaro azul de patas roxas de pernas para o ar no meio de praça pública. Para eu não o autuar terá de se deslocar para outro lugar. E é de forma mais familiar e a sussurrar lhe digo que me está a incomodar por me estar assim a observar. Não sou estátua de jardim público…
Fui-me embora de mansinho, sem o perturbar, a pomba da sua cabeça estava-lhe no uniforme a cagar!!!
aBs
> > O aBsUrdO curdo já foi escrito, descrito, reescrito como Massamá a “evil”> > nos tempos de Portugal-portugal-o-pequeno-mas-grande. Viva-Viva-Viva aqui a> > revolução da palhaçadura com pernas de cabaré olaré a cantar o «sol e dó» na> > esquina onde o polícia autoritário policiava a “pólis” nas passadeiras onde> > apenas modelos podiam desfilar e encantar as boinas toinas e as cabeças ocas> > dos artistas julgadores e hipocriticizadores colaborantes com o regime> > regente de juízos e avisos em placas vermelhas penduradas nas esquinas dos> > lapsos e aptos à revolução vigente. (É assim de crer que já não faz sentido> > crer no querido absurdo nem mesmo quando rime com curdo)
27.3.09
Panis et Circenses et Ketchup
«as tetas da alienação» não dão leite.
«as tetas da alienação» gotejam isso mesmo: circo, sangue e pão.
«as tetas da alienação» gotejam isso mesmo: circo, sangue e pão.
23.3.09
«Twist» em Conferência de Imprensa do FC XL
E eis que o jogador do FC XL, em plena conferência de imprensa do seu clube, nas vésperas de um «decisivo» derby, surpreende tudo e todos ao proferir o discurso que se segue:
«O nosso objectivo é declaradamente perder este jogo. Estamos cansados dessa ideia redutora de favoritismos toinos e da vitória quantitativa, que não faz jus à muito propalada verdade desportiva. Esperamos, de facto, perder este jogo em número de golos, mas prometemos jogar com qualidade. Aos 80 minutos, vamos parar e fazer um piquenique na relva e conviver, durante 10 minutos. Não é bar aberto, mas é baliza aberta para os adversários. É o que se pode, dentro da limitação das 4 linhas. A solidariedade, em tempos de crise, deve ser intensificada. Contamos com a ajuda dos adeptos».
Uma Coca-Cola, em exposição, junto de mais umas 20, na mesa do jogador, faz saltar a tampa e ouvir a sua voz:
«Finalmente, alguém com tomates nesta conferência de imprensa, perdão, de marcas. Até eu, aqui a fazer figura de palhaça estática, já estava cansada de ter que levar com os flashes dos fotógrafos e com as perguntas idiotas de alguns jornalistas e as respostas dos jogadores programadas, ao milímetro, por uma qualquer máquina fabricadora de lugares-comuns. Além do mais, sem um pingo de suor, perdão, interesse. Basta de delitos de opinião no futebol! Dancemos e brindemos a esta equipa corajosa!».
E eis que as Coca-colas despem o rótulo, e despem-se de rótulos, e começam a dançar o twist em cima da mesa, acompanhado de um grito de claque pouco ortodoxa: «Abaixo a formatação! Alguém que diga Não!».
«O nosso objectivo é declaradamente perder este jogo. Estamos cansados dessa ideia redutora de favoritismos toinos e da vitória quantitativa, que não faz jus à muito propalada verdade desportiva. Esperamos, de facto, perder este jogo em número de golos, mas prometemos jogar com qualidade. Aos 80 minutos, vamos parar e fazer um piquenique na relva e conviver, durante 10 minutos. Não é bar aberto, mas é baliza aberta para os adversários. É o que se pode, dentro da limitação das 4 linhas. A solidariedade, em tempos de crise, deve ser intensificada. Contamos com a ajuda dos adeptos».
Uma Coca-Cola, em exposição, junto de mais umas 20, na mesa do jogador, faz saltar a tampa e ouvir a sua voz:
«Finalmente, alguém com tomates nesta conferência de imprensa, perdão, de marcas. Até eu, aqui a fazer figura de palhaça estática, já estava cansada de ter que levar com os flashes dos fotógrafos e com as perguntas idiotas de alguns jornalistas e as respostas dos jogadores programadas, ao milímetro, por uma qualquer máquina fabricadora de lugares-comuns. Além do mais, sem um pingo de suor, perdão, interesse. Basta de delitos de opinião no futebol! Dancemos e brindemos a esta equipa corajosa!».
E eis que as Coca-colas despem o rótulo, e despem-se de rótulos, e começam a dançar o twist em cima da mesa, acompanhado de um grito de claque pouco ortodoxa: «Abaixo a formatação! Alguém que diga Não!».
19.3.09
O Psicodeus
a meio de uma conversa sobre
moral e moralismos,
papas e papistas,
paradigmas e «paradogmas»,
desertos fartos e deserts fartas,
um dito e convicto ateu interrompe as habituais dialéticas, para dizer, em tom assertivo:
- quer exista, quer não,
quer tenha existido, deus, afinal, existe...
É PSICOLÓGICO,
como o medo.
ficámos boquiabertos e partimos para o carro, mudos, medrosos.
no rádio, a björk cantava «deus does not exist / But if he does I always notice him».
moral e moralismos,
papas e papistas,
paradigmas e «paradogmas»,
desertos fartos e deserts fartas,
um dito e convicto ateu interrompe as habituais dialéticas, para dizer, em tom assertivo:
- quer exista, quer não,
quer tenha existido, deus, afinal, existe...
É PSICOLÓGICO,
como o medo.
ficámos boquiabertos e partimos para o carro, mudos, medrosos.
no rádio, a björk cantava «deus does not exist / But if he does I always notice him».
14.3.09
12.3.09
Party (Partida A Meio)
Parti-te o coração.
Falei de couer.
Parti-te aos pedaços.
A meio de um abraço.
Enquanto dançávamos uma valsa «heartcore».
A - Tu por caso sabes o que é o amor?
B - Sei, muito bem. Amo a Razão.
A - E isso compensa? Enche-te o coração?
B - ...
Falei de couer.
Parti-te aos pedaços.
A meio de um abraço.
Enquanto dançávamos uma valsa «heartcore».
A - Tu por caso sabes o que é o amor?
B - Sei, muito bem. Amo a Razão.
A - E isso compensa? Enche-te o coração?
B - ...
11.3.09
7.3.09
Heavy Metal Machine (Do Céu Caiu Uma... Moeda)
«Uma moeda pode matar. Ouviram bem, meus senhores e minhas senhoras?»
«Uma, uma só e leve moeda pode matar», balbuciava o famigerado «Louco», na baixa da cidade, perante uma multidão apática, absorta, surda para ele, em passeio-frenesi.
Um destacado senhor, que sempre conhecera senão as transferências bancárias e as notas-pluma, parou, desta vez, para escutá-lo e ofertar-lhe uma nota de 5 euros.
Do «céu» cai uma moeda de 1 cêntimo.
Atingido pelo pesado metal, o senhor estatela-se no chão, a meio de um «É para s...».
Morte instantânea.
«Uma, uma só e leve moeda pode matar», balbuciava o famigerado «Louco», na baixa da cidade, perante uma multidão apática, absorta, surda para ele, em passeio-frenesi.
Um destacado senhor, que sempre conhecera senão as transferências bancárias e as notas-pluma, parou, desta vez, para escutá-lo e ofertar-lhe uma nota de 5 euros.
Do «céu» cai uma moeda de 1 cêntimo.
Atingido pelo pesado metal, o senhor estatela-se no chão, a meio de um «É para s...».
Morte instantânea.
26.2.09
27 Palmos de Terra

Inusitadamente, dei de caras com o combo dos suicidas aos 27,
Sim, esses mesmo: os famigerados artistas-paraquedistas meteóricos do «Clube dos 27» .
Dados do Relatório do Encontro (os passíveis de serem publicados):
Um tanto ou quanto elitistas e corporativistas,
Mas também cooperativistas.
Abandonaram as substâncias psicotrópicas.
E as artes.
O lugar onde pairam hoje é um transe ininterrupto, não-químico.
A Janis tem agora um pénis, mas cansou-se de sexo e de ser sexy.
O Hendrix dedica-se à colecção de guitarras de plástico florescentes e de jubas de defuntos.
O Kurt Cobain afirma com veemência que tem como melhor amigo Jesus Cristo, que o houvera escolhido como mensageiro, mas que o mundo não entendeu a mensagem.
O Brain Jones tem como passatempo preferido «atirar calhaus» aos últimos discos dos Stones, encarnando numa elite de críticos de música.
O Jim Morrison atingiu o nirvana e garante que estava errado acerca do Fim, quando escreveu o «The End».
O Basquiat, vítima de uma overdose de speedball, criou uma nova modalidade desportiva, acelerada, que não sabe jogar: o «basquiatball».
23.2.09
Terror Chique/ Je T'Aime, Fou
num dos bolsos, um preservativo e uma pistola carregada.
atrás das costas, na mão direita, uma rosa azul para lhe dar.
o burguês esquerdista beija, com a líbido erecta, a recta, direita e bela burguesa jovem, apolítica,
filha do sanguessuga-sangue-azulão Filipe Davide Aragão Pedrógão,
à porta do portão gigante da gigante mansão.
ele ama-a fou-mente.
ela ama-o, virgem.
ele + uma arma.
ele + a luta armada.
ele + uma missão sangrenta,
em mãos.
como termina a história?
um the end grafado a vermelho?
atrás das costas, na mão direita, uma rosa azul para lhe dar.
o burguês esquerdista beija, com a líbido erecta, a recta, direita e bela burguesa jovem, apolítica,
filha do sanguessuga-sangue-azulão Filipe Davide Aragão Pedrógão,
à porta do portão gigante da gigante mansão.
ele ama-a fou-mente.
ela ama-o, virgem.
ele + uma arma.
ele + a luta armada.
ele + uma missão sangrenta,
em mãos.
como termina a história?
um the end grafado a vermelho?
o esqueleto da manhã
manhã submersa,
manhã subtil,
manhã substância,
manhã substracto,
manhã subterrena,
manhã subaquática,
manhã subversiva,
manhã suburbana,
manhã súbdita,
manhã sublime.
manhã subentendida.
manhã subjacente.
manhã sub-real.
manhã subconsciente.
manhã sub-amada.
amanhã outra sub-manhã.
manhã subtil,
manhã substância,
manhã substracto,
manhã subterrena,
manhã subaquática,
manhã subversiva,
manhã suburbana,
manhã súbdita,
manhã sublime.
manhã subentendida.
manhã subjacente.
manhã sub-real.
manhã subconsciente.
manhã sub-amada.
amanhã outra sub-manhã.
18.2.09
Eraser Head
ORDEM DA ORDEM DOS ORDENADOS:
Apague,
imediatamente,
todos os pensamentos e conhecimentos que cimentou,
desde que tem memória,
Apague,
essa massa cinzenta,
viscosa,
maquiavélica,
abjecta,
perversa!
Apague,
Com borracha branca.
Com este branqueamento,
Bem sabe,
Não será necessário recorrer ao lápis azul.
Apague,
imediatamente,
todos os pensamentos e conhecimentos que cimentou,
desde que tem memória,
Apague,
essa massa cinzenta,
viscosa,
maquiavélica,
abjecta,
perversa!
Apague,
Com borracha branca.
Com este branqueamento,
Bem sabe,
Não será necessário recorrer ao lápis azul.
3 Minutos - O Mar-Moto e o Comboio-Fogetão-Navio
tenho 2m59s para ultimar este texto,
agora um pouco menos.
neste preciso instante, o tempo urge,
estou no advento, a caminho dos 0 segundos,
em viagem contra Cronos,
é como um comboio a aproximar-se, veloz, acutilante,
olha, é um TGV, 10ª Geração!
chegarei à estação de Coimbra-B a tempo, de onde estou?
e onde estou eu?
no TAGV ameno, em plena praça da Repúbl...
e eis que a lógica do mundo se alterou nos últimos 1m27s
e sei, de fonte segura, que um comboio parará mesmo à frente do teatro,
carruagens vazias,
para me buscar,
só a mim.
Partirá em direcção ao mar,
navegando até ao Índico.
Aí terminarei o tal texto.
agora um pouco menos.
neste preciso instante, o tempo urge,
estou no advento, a caminho dos 0 segundos,
em viagem contra Cronos,
é como um comboio a aproximar-se, veloz, acutilante,
olha, é um TGV, 10ª Geração!
chegarei à estação de Coimbra-B a tempo, de onde estou?
e onde estou eu?
no TAGV ameno, em plena praça da Repúbl...
e eis que a lógica do mundo se alterou nos últimos 1m27s
e sei, de fonte segura, que um comboio parará mesmo à frente do teatro,
carruagens vazias,
para me buscar,
só a mim.
Partirá em direcção ao mar,
navegando até ao Índico.
Aí terminarei o tal texto.
16.2.09
adega bodega
numa alheia adega-bodega,
um bode entrou.
seguiu-o o «bother-brother».
ali,
eu, «bother-brother»,
e o bode,
evadidos de uma bobona boda,
ouvimos amy winehouse,
olhando para uma cuba,
falando de cubismo,
da insular e embargada Cuba,
de cubas e de abismo.
eu bebia uma bebida sem pingo de álcool,
com um cubo de gelo.
ele, apenas dizia «cool», «cool», «cool».
um dia viemos a morrer, gelados, na bodega daquela adega.
um bode entrou.
seguiu-o o «bother-brother».
ali,
eu, «bother-brother»,
e o bode,
evadidos de uma bobona boda,
ouvimos amy winehouse,
olhando para uma cuba,
falando de cubismo,
da insular e embargada Cuba,
de cubas e de abismo.
eu bebia uma bebida sem pingo de álcool,
com um cubo de gelo.
ele, apenas dizia «cool», «cool», «cool».
um dia viemos a morrer, gelados, na bodega daquela adega.
13.2.09
Plantas
na planta do pé direito tenho uma planta...
da prisão da qual anseio evadir-me.
na planta do pé esquerdo brota uma planta...
que - em breve - barrarei com Planta, para manjar à hora do lanche.
da prisão da qual anseio evadir-me.
na planta do pé esquerdo brota uma planta...
que - em breve - barrarei com Planta, para manjar à hora do lanche.
11.2.09
Tique ou táque
Tique táque
Tique táque
O pau na mesa-cor-de-mar
Nova
Maravilhosa
Tique táque faz o pau
Tique-táque-cor-de-mar
Autoria: Diztânia
Tique táque
O pau na mesa-cor-de-mar
Nova
Maravilhosa
Tique táque faz o pau
Tique-táque-cor-de-mar
Autoria: Diztânia
9.2.09
C+a+o+s+M+e+d+i+á+t+i+c+o
Prémios premiados.
«E o Prémio vai para... o Óscar, para o BAFTA e para A Palma de Ouro», ex aequo.
«Queria agradecer aos meus pais, aos meus amigos...», grita o Bafta.
O Óscar, comovido, desabafa: «Thanks, I think I was dress to sucess... I guess I was born to be Wilde».
Palma não verbaliza, chora, antes, de emoção.
[Ao mesmo tempo, é apresentada moção de Sócrates, sem emoção].
Blondie: «One way or another, I'm gonna meet you».
Youtube e uma «loirie» 50-ona.
Análise do empate no jogo FC Porto vs Benfica:
Análises, análises de análises analíticas.
De um jogo de um jogo de um jogo de um jogo, um, um, um, um.
A X B, C vs D.
Quantos comentadores?
Quantos comentam dores?
Quantos comendadores da comenda analítica?
Hulk,
Reyes.
Quique,
Jesualdo.
Quique,
Jesualdo.
No outro jogo, dois biblícos:
Jesus.
Paulo.
Bento, como o papa.
Jornalistas
Analistas,
Com chuteiras,
Nas bancadas,
A jogarem
Aos bitaites, soundbytes.
E aos pontapés.
Com os pés de molho.
Lábios lábios sábios,
Raio X do erotismo, por Man Ray.
No ambiente de trabalho.
A preto e branco.
OpenOffice.org.
Página word.
Janela aberta para a palavra.
No escritório.
«Competição»:
Petição 29838457 compete com petição 29838458.
«Se deus quiser»:
A razão não é tudo.
Tens razão.
Ou não.
Bancadas cheias.
Enchente.
Em Cheia.
Em cheio.
Futebol:
Águias.
Dragão.
E uma bola na mão.
«Falta!
O futebol joga-se com os pés,
Não é com a mão,
Nem com o coração».
«E o Prémio vai para... o Óscar, para o BAFTA e para A Palma de Ouro», ex aequo.
«Queria agradecer aos meus pais, aos meus amigos...», grita o Bafta.
O Óscar, comovido, desabafa: «Thanks, I think I was dress to sucess... I guess I was born to be Wilde».
Palma não verbaliza, chora, antes, de emoção.
[Ao mesmo tempo, é apresentada moção de Sócrates, sem emoção].
Blondie: «One way or another, I'm gonna meet you».
Youtube e uma «loirie» 50-ona.
Análise do empate no jogo FC Porto vs Benfica:
Análises, análises de análises analíticas.
De um jogo de um jogo de um jogo de um jogo, um, um, um, um.
A X B, C vs D.
Quantos comentadores?
Quantos comentam dores?
Quantos comendadores da comenda analítica?
Hulk,
Reyes.
Quique,
Jesualdo.
Quique,
Jesualdo.
No outro jogo, dois biblícos:
Jesus.
Paulo.
Bento, como o papa.
Jornalistas
Analistas,
Com chuteiras,
Nas bancadas,
A jogarem
Aos bitaites, soundbytes.
E aos pontapés.
Com os pés de molho.
Lábios lábios sábios,
Raio X do erotismo, por Man Ray.
No ambiente de trabalho.
A preto e branco.
OpenOffice.org.
Página word.
Janela aberta para a palavra.
No escritório.
«Competição»:
Petição 29838457 compete com petição 29838458.
«Se deus quiser»:
A razão não é tudo.
Tens razão.
Ou não.
Bancadas cheias.
Enchente.
Em Cheia.
Em cheio.
Futebol:
Águias.
Dragão.
E uma bola na mão.
«Falta!
O futebol joga-se com os pés,
Não é com a mão,
Nem com o coração».
7.2.09
Macaco I - Macaco II
Macaco I
pena de um macaco feião
pêlo loiro de cão às riscas
penas com ovo
pata quadrada
de um pêlo branco de leopardo azul
comedor de moscas
Macaco II
macaco-branco-comedor-de-moscas
ao cimo da água
comedores de ossos-fémur
olham
folhas cortantes
com letras-transparentes
lá andam
cheios de facas
entaladas no nariz
por fim
olham para o lago
feito de unhas-pintadas.
Autoria: Diztânia
pena de um macaco feião
pêlo loiro de cão às riscas
penas com ovo
pata quadrada
de um pêlo branco de leopardo azul
comedor de moscas
Macaco II
macaco-branco-comedor-de-moscas
ao cimo da água
comedores de ossos-fémur
olham
folhas cortantes
com letras-transparentes
lá andam
cheios de facas
entaladas no nariz
por fim
olham para o lago
feito de unhas-pintadas.
Autoria: Diztânia
1.2.09
Pássaros-elefante-olho-esquilo
Pássaros
Com suas asas d'água
(Um)
pássaro sobrevoava os céus
choca com uma nuvem
e
vento soprando-de-força
chuva
pela terra
regando os céus
Elefante
Elefante
Aos quadrados de várias cores
Veste-se de galinha
e
dorme numa teia com sua amiga aranha
Um dia passou um furacão
Mas,
não o levou
e
Passou a viver numa flor
Porque mais nada restou
Olho
Olho de vidro
Asas de fogo
Ambos se juntam
e
formam montanhas
geladas
negras, como o carvão
macias como algodão.
Esquilo
Esquilo de olhos quadrados com seis patas…
Passeia
em cima d’ água-flutuante
voa nos céus
Colhe nuvens
Para as
Espremer
e
água delas cair
e
aculturas regar.
Autoria: Diztânia
Com suas asas d'água
(Um)
pássaro sobrevoava os céus
choca com uma nuvem
e
vento soprando-de-força
chuva
pela terra
regando os céus
Elefante
Elefante
Aos quadrados de várias cores
Veste-se de galinha
e
dorme numa teia com sua amiga aranha
Um dia passou um furacão
Mas,
não o levou
e
Passou a viver numa flor
Porque mais nada restou
Olho
Olho de vidro
Asas de fogo
Ambos se juntam
e
formam montanhas
geladas
negras, como o carvão
macias como algodão.
Esquilo
Esquilo de olhos quadrados com seis patas…
Passeia
em cima d’ água-flutuante
voa nos céus
Colhe nuvens
Para as
Espremer
e
água delas cair
e
aculturas regar.
Autoria: Diztânia
27.1.09
O Sr. Permeável
Era uma vez... o sr. Permeável.
O sr. Permeável era um senhor muito estimável,
Mas era... q.b. permeável.
Formava apenas opinião, depois de sondadas as mais populares opiniões,
Dos mais populares líderes de opinião.
Num grupo de três, quatro, cinco, seis, sete, oito fala-baratos... a coisa passava despercebida.
Era pré-visualizável e expectável, se bem esprimida, a sua vida.
Lida nos lábios dos outros.
Ora conveniente e popular, no grupo.
Ora impotente e de pular, quando a dois.
E depois... era a favor da eutanásia.
E antes... anti.
Avanti, talvez.
Andava ao sabor do grupo, do apupo.
Quando havia alguém a pupular pelos dois,
O sr. Permeável ficava de bico calado.
Ora, um dia «choveu»,
E o sr Permeável,
Des-prevenido,
Des-preventivo,
Permeável, claro,
Primeiro estremeceu,
Depois, padeceu,
E, no fim, triste, o amável senhor Permeável faleceu.
Irónico prémio:
O sr. Permeável coleccionava impermeáveis.
Mas esquecera-se do último que comprara no hall do bar,
De onde fugia, atordoado, envergonhado, à prova dos nove de...
Nove pessoas, com nove fortes convicções, que lhe solicitavam uma fundamentada opinião.
E coisa que o Sr. Permeável não era... era um colete à prova de balas.
Nem de uma, nem de duas... muito menos de nove.
O sr. Permeável era um senhor muito estimável,
Mas era... q.b. permeável.
Formava apenas opinião, depois de sondadas as mais populares opiniões,
Dos mais populares líderes de opinião.
Num grupo de três, quatro, cinco, seis, sete, oito fala-baratos... a coisa passava despercebida.
Era pré-visualizável e expectável, se bem esprimida, a sua vida.
Lida nos lábios dos outros.
Ora conveniente e popular, no grupo.
Ora impotente e de pular, quando a dois.
E depois... era a favor da eutanásia.
E antes... anti.
Avanti, talvez.
Andava ao sabor do grupo, do apupo.
Quando havia alguém a pupular pelos dois,
O sr. Permeável ficava de bico calado.
Ora, um dia «choveu»,
E o sr Permeável,
Des-prevenido,
Des-preventivo,
Permeável, claro,
Primeiro estremeceu,
Depois, padeceu,
E, no fim, triste, o amável senhor Permeável faleceu.
Irónico prémio:
O sr. Permeável coleccionava impermeáveis.
Mas esquecera-se do último que comprara no hall do bar,
De onde fugia, atordoado, envergonhado, à prova dos nove de...
Nove pessoas, com nove fortes convicções, que lhe solicitavam uma fundamentada opinião.
E coisa que o Sr. Permeável não era... era um colete à prova de balas.
Nem de uma, nem de duas... muito menos de nove.
Es ven trar
Eu confesso:
Nutro
uma
secreta,
visceral,
esventrada,
estropiada,
estripada
admiração
pelo
verbo
ESVENTRAR.
Eu esventro...
Tu esventras...
Ele esventra...
Ela esventra...
Nós esventramos...
Vós esventrais...
Eles esvestram...
O verbo...
A verbe...
Do verbário.
Nutro
uma
secreta,
visceral,
esventrada,
estropiada,
estripada
admiração
pelo
verbo
ESVENTRAR.
Eu esventro...
Tu esventras...
Ele esventra...
Ela esventra...
Nós esventramos...
Vós esventrais...
Eles esvestram...
O verbo...
A verbe...
Do verbário.
18.1.09
escolhas
«AMA-ME OU MATA-ME», brada ela, com ar de tresloucada, citando s. kane, dirigindo-se a ele.
ele pergunta-lhe: «não há opções C, D, etc, etc...?»
ela responde: «NÃO, ESCOLHE!».
ele escolhe: suicida-se, diante dela.
ele pergunta-lhe: «não há opções C, D, etc, etc...?»
ela responde: «NÃO, ESCOLHE!».
ele escolhe: suicida-se, diante dela.
Macaco I & II
Macaco I
Pena de um macaco girão
Pêlo russo de prostituta malhada
Penugem depois d’ovo
Pestana quadrada
Transformador, talhador, decisor
De um pêlo ruivo de macaco branco
Comedor de homens
Macaco II
Macacos-brancos-comedores-de-homens
Ao sopé da árvore
Caganitas brancas de osso-umeral+radial
Cheiram
Losango entalador de gargantas
Sufixo erróneo
Escrito em unha descolorada
Lá lá land
Repleta de árvores-macaco comedoras
Losango-cortantes respirantes
Enfrentam-se
e
Por fim
Lambem as feridas
Junto à poça angular.
Pena de um macaco girão
Pêlo russo de prostituta malhada
Penugem depois d’ovo
Pestana quadrada
Transformador, talhador, decisor
De um pêlo ruivo de macaco branco
Comedor de homens
Macaco II
Macacos-brancos-comedores-de-homens
Ao sopé da árvore
Caganitas brancas de osso-umeral+radial
Cheiram
Losango entalador de gargantas
Sufixo erróneo
Escrito em unha descolorada
Lá lá land
Repleta de árvores-macaco comedoras
Losango-cortantes respirantes
Enfrentam-se
e
Por fim
Lambem as feridas
Junto à poça angular.
17.1.09
Tique táque
Tique táque
Da bengala no passeio
Estridente
Decadente
Velha
Idosa
Rancorosa
Tique táque diz a bengala
Tique táque.
Da bengala no passeio
Estridente
Decadente
Velha
Idosa
Rancorosa
Tique táque diz a bengala
Tique táque.
16.1.09
ó, s.f.f.
ó,
cadela,
faz-me um favor:
mia para mim.
ó,
gata,
faz-me um favor:
tira-me a gravata.
da qual eu estou farta.
ó,
rã,
faz-me um favor:
leva-me até aquele avião.
ó,
jacaré,
faz-me um favor:
mata-me,
mas não me mordas o pé.
ó,
meloa, faz-me um favor:
canta para mim, até que a voz te doa.
cadela,
faz-me um favor:
mia para mim.
ó,
gata,
faz-me um favor:
tira-me a gravata.
da qual eu estou farta.
ó,
rã,
faz-me um favor:
leva-me até aquele avião.
ó,
jacaré,
faz-me um favor:
mata-me,
mas não me mordas o pé.
ó,
meloa, faz-me um favor:
canta para mim, até que a voz te doa.
6.1.09
The End
Um Big Bang ao contrário.
O universo, em contagem decrescente:
Da expansão à inexistência.
Adeus tempo, adeus espaço.
A origem das espécies ao revés.
Países em vias de desenvolvimento por desenvolver.
Países desenvolvidos volvidos.
Adon(is) e Ever (ler «Eva») e os seus filhos-incestos-incestuosos
Desaparecem de cena numa cena de gang-bang.
«The end, beautiful friend, the end»
O universo, em contagem decrescente:
Da expansão à inexistência.
Adeus tempo, adeus espaço.
A origem das espécies ao revés.
Países em vias de desenvolvimento por desenvolver.
Países desenvolvidos volvidos.
Adon(is) e Ever (ler «Eva») e os seus filhos-incestos-incestuosos
Desaparecem de cena numa cena de gang-bang.
«The end, beautiful friend, the end»
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