29.6.08

Dez Lamúrias

«Dez lamúrias por gole».
Dez lamúrias por golo... do adversário.
Dez lamúrias pelo preço do bolo de aniversário.
Dez lamúrias por cada uma das dez horas dormidas.
Dez lamúrias pelas duas perdidas.
Dez lamúrias por cada ferida.
Dez lamúrias por não ter conhecido a Frida.
Dez lamúrias por não ter lambido a ferida.
Dez lamúrias por não ter lamentado há bocado.
Dez lamúrias por estar a passar um «mau bocado».

- «Então como vai a vida?»
- «Vai-se indo, mas podia-se ir indo melhor».
- «Que remédio, não é?!»

28.6.08

Pedidos de Desculpas Públicos

Sr. Excelentíssimo Professor Doutor Impagável e Jubilado,
Estou arrependidíssimo de um dia o ter chamado de Vossa Excelência, com tanto júbilo.
Até sei que dispensa títulos.
Que os preferia no escuro duma despensa, escondidos, lá para trás, junto do arroz, do atum e do esparguete.

Senhor Excelso Papa,
Perdoe-me a tolice de ter afirmado um dia, a viva voz, de modo ultrajante, que vestia Prada,
Quando, afinal, trajava apenas Versace.
Desculpe ter colocado em causa o seu «franciscanismo».
Não sou digno desta morada.

Senhor Excelentíssimo Berlusconi,
Processe-me ou absolva-me, se puder, o tratamento calunioso, de jovem inconsequente e «esquerdista terrorista», como me chamou (muito apropriadamente), quando um dia vociferei, ao megafone, as palavras «magnata com muita lata».
São de ouro a sua longevidade e a sua imunidade jurídica.
Por e de si, até construía uma estátua.

A Verdade

«Toda a verdade é simples». Não é isto uma dupla mentira?

(Colaboração de um tal friedrich nietzsche)

26.6.08

Mamas e Maçãs

era uma mama em forma de maçã
uma mama em forma
uma maçã

era uma mamã em forma de maçã
uma maçã sem forma
malsã

era uma maçã em forma de mama
uma mama sem forma
uma malsã maçã

era uma maçã em forma de mamã
uma mama em forma
uma sã maçã

uma maçã
uma mama seca
uma mama sã
e uma ama seca

a ana mama na mama da mamã
a mana mama na mama da ama
a mana da mana a ana ama a mama da mamã
a mana da ana a mana ama a mama da ama

mas a ana da mana ama a ama da mama
e a mana da ana ama a mamã da mama

uma mamã sã
e uma mamã seca
e uma ama sã
de mama seca

uma maçã
uma mamã
uma mama
uma mana
uma ama
uma ana

uma maçã sã
uma mamã má
uma mana mamã
uma mama malsã
ah e uma ama ana

uma mama na mamã
outra na ama mama
uma ama a mamã
outra a ama ama
uma mama na ama
outra na mama mama
mamã mamã mamã


(Colaboração de PC)

25.6.08

Vidas (Privadas vs Públicas vs Publicadas)

Biografia ou biopic.
Eis dois títulos mais ou menos credíveis para, entre outras, uma coisa chamada bisbilhotice ou, se entendermos ser mais extensos,
um-pôr-em-livro-ou-na-tela-um-vasculhar-de-vidas-alheias, ou,
se entendermos ser dissimuladamente mais profissionais,
um investigação aprofundada de factos determinantes na vida de determinados indivíduos influentes.
Ou não.

Ou: meras e mais ou menos verossímeis ficções, que apelam à sensação de que o biografado é um íntimo do leitor/espectador, de que este está a ser exposto «à flor da pele», como não houvesse um astronómico esconderijo humano, pessoal, vedado, intransmissível, indisponível, intransponível e insondável.
Ou não.

Mas as ficções são a maior fatia do que se fixa dos contactos superficiais travados - o prato do dia, ou se preferirem, o prato da vida.
O que pode tornar os outros ainda mais apreciáveis, atraentes, apetecíveis.
Ou não.

No caso de dúvida, longa vida às ficções.
Longa vida às vidas ficcionadas e ficcionais.
Essas aparentam ser «maiores do que a vida»...
Ou não.

Vi-vos...

Vi-vos vivos,
vi-vos mortos,
a vós, vivos-vivos,
a vós, vivos-mortos.

Os avós vivos.
Os avós mortos.

A vós, avós, vos vi.
A vós, a voz, vos ouvi.
Vos ouvi ou vi, avós.
«A viva voz vivi»
a viva voz vos ouvi,
a vós, vivos-vivos,
a vós, vivos-mortos.

(Colaboração de PC)

24.6.08

As Linhas Paralelas Encontram-se no Horizonte (ou «Tudo É Possível»)

X: odeio o teu fedor a operário fabril.
Y: e eu esse perfume xpto enjoativo.
Y: chalaça fácil.
X: seu pseudo.
Y: Céline Dion e Pólo Norte? arghh.
X: vão ser felizes para o caralho mais velho, tu e a tua música alternativa, seu ditadorzinho de gostos.
Y: que gostos? alternativa a quê? e já agora onde fica isso do alho mais velho?
X: tão alternativo que ele é...
Y: o que tem, afinal, de especial o «2001 Odisseia no Espaço»?
X: não gostas, é porque não entendes.
X: vamos ver o jogo da Selecção à Praça?
Y: dispenso multidões.
X: hás-de ter um funeral às moscas, seu anti-social.
Y: pensava que tu é que eras o neoliberal à portuguesa, anti-social. e já agora, as moscas são fixes. não fazem mal a uma mosca.
Y: hipócrita.
X: ingénuo.
X: já topaste que és um crítico do caraças?
Y: talvez um exigente do caraças.
X: sempre do contra, tu. irra!
Y: posso dizer o mesmo de ti – é uma questão de perspectiva.
Y: vamos fugir deste antro português em busca de dignidade.
X: seu desenvergonhado, devias ser expatriado.
X: é uma vergonha - este país vai de mal a pior.
Y: (ri-se)
X: ó cabrão, ri-te mais e eu parto-te as fuças.
Y: ah, não te maces. eu faço-o por ti - sou Masoch, não sabias?
Y: já te disse que gostava de ter um filho mestiço?
X: lá vens tu com esse paleio do «eu sou muito pelo intercultural e tal».
X: o que te vale é que eu sou muito tolerante. até tenho amigos que não são da «cor da pele».
Y: e «até» és muito idiota.
X: arrogante.
Y: acrescenta «pedante».
X: burranco, devias era ser abatido em Barrancos, em plena arena.
Y: e que tal um argumento? diz que é grátis.
X: e se argumentasses tu?
Y: já vi que não vamos chegar a lado nenhum com esta conversa.
X: és capaz de ter razão - vamos tomar um copo?
Y: um copo de?
X: pode ser uma garrafa de cerveja para cada um, seu chato?
Y: alinho, mas só até ao final da cerveja – a minha reputação de desalinhado não pode sair daqui beliscada.
X: (sorri)

23.6.08

Fórmula 1

Jam Session (Meteorologia Sem Relógio)

Mudam-se os tempos, mudam-se os tempos.

Vila Boa Revisited (2008)

Queriam-no janota,
Ele virou janado,
Ansiavam-no inscrito numa qualquer Jota,
Ele preferiu uma dama.
Preferiam-no idiota.
Mas ele pôs em causa o Gama,
Não o Armando,
Mas aquele tal Vasco da Gama.

Prontuário(s) de Portugal

«Prontos» (sic ou não sic),
Parece que ainda não estamos prontos
para dizer apenas
«pronto».

22.6.08

O Eterno Complexo de Não-Sei-O-Quê

Uma mulher que sabe de cor os plantéis do Portimonense e do Rio Ave.
Um homem que não se cansa de ver as «Televendas».
Uma mulher que cultiva o prazer do culturismo.
Um homem que não vai à bola com a bola.
Um homem que gosta de bola e vai à bola com a ópera.
Uma mulher que se sai com uma mini-saia, a beber uma mini, para o ensaio geral.
Um melómano que se arrebata ao ouvir o Philip Glass e os Abba.
Um dito gótico que gosta de Tony Carreira.
Um homem que quer dizer a um homem e a uma mulher, que o desejam, que é assexuado.
Uma mulher que anseia dizer que prefere um gelado a um «multi-orgasmo».
Uma mulher que não aspira ter filhos.
Um angolano que não acha piada nenhuma dançar e ouvir tarraxinha e kuduro.
Um português que se está a borrifar para o «ser português».
Um portuense que é benfiquista.
Um amante da «Odisseia» que vai voltar a Homero só depois de acabar de ver o programa da Júlia, na TVI.
Um padre católico português comunista.
Um homem que não gosta de álcool.
Uma mulher que arrota e palita os dentes.
Um católico que tem como autor preferido Nietzsche.
Um homem conduzido por uma mulher.
Uma massa de homens chorões no jogo que eliminou a Selecção Portuguesa do Euro.
Uma mulher que não se baba com conversas sobre «bebés e babetes».
O catedrático da Universidade de Coimbra que fuma o seu charro de erva nos tempos livres.
Um realizador «godardiano» que se deleita a ver o «Rambo».
Alguém que não percebe os «prazeres culpados».
Alguém que não concebe os «desprazeres culpados».

20.6.08

Bang Bang (You're So Clichely Dead)

Devo confessar:
Fiquei desapontado
quando me apontaste
uma arma (literal?!).
Pensava que desarmar-me-ias,
desarmada,
talvez com uma palavra,
uma onomatopeia,
ou um silêncio,
terrorista,
extremista,
ou com outra coisa qualquer
que me exterminasse,
deixasse de rastos,
não deixasse rasto.
É claro que eu só me pude rir
Na tua cara, careta.
Mataste-te com um lugar-comum,
Num lugar(-)comum.
A cama.

19.6.08

Laica 4Ever

Aplaudo, sem pruridos, a coragem:
Ser-se, hoje, «Catol», em Portugal, é transgressão - subversão, acrescentaria.
Muito mais marginal do que toda/o e qualquer prostituta/o numa marginal.
Muito mais underground do que os Velvet Underground aquando da sua meteórica e incompreendida passagem pela Terra.
Muito mais perigoso, tentador e sigiloso do que um «pular de cerca».
Mas, eu cá, nesta matéria, sou muito conservador - uma árvore de folhas perenes.
Jamais entraria em aventuras ousadas, experimentais, de risco.
Como poderia, afinal, eu trair a minha Laica, branda, íntegra e tradicional, como tanto prezo?

Ass: Laico Laiciano

18.6.08

Perspectivas

Eu não sou pobre. Sou minimalista.

17.6.08

«Ai, Thomas, Thomas, do que é que estás à espera?»

Fala-se de Tom Waits, aqui e ali,
no «Tropical», em Coimbra,
no «Islandia Bar», em Cuba,
na «praça de uma rameira», enquanto ele se despe para ela,
no motel mais imundo deste mundo, enquanto eles se amam,
ou antes de uma ópera ilustre, em Viena de Áustria,
enquanto um yuppie «lustra o salão» com o dedo mendinho,
Bla-bla-bla-se da sua música,
da sua voz cavernosa,
de ser deus,
de ser chifrado e chanfrado,
da(s) personagem(ns) que cria e criou,
da sua inesgotável criatividade,
dos filmes em que entrou e dos quais saiu abruptamente,
das versões das suas músicas adocicadas pela voz de Scarlett Johansson,
dos vómitos que provoca em ouvidos mais sensíveis,
da eterna expectativa - sempre gorada - de vir actuar a Portugal,
mas nunca ninguém soube dizer ao certo o que espera Tom.
Esperará, como alguns perseverantes, por D. Sebastião?
Esperará pelo inevitável fim?
Ou simplesmente por que lhe sirvam um prato de «roasted beef» e um copo de água num dinner, à beira-estrada estancado?





his space

(O Admirável Mundo Velho da) Polissemia

Nós estamos cheios de nós.

16.6.08

Um dia...

«Um dia extermino todo e qualquer dia internacional/europeu/nacional da treta para patentear o Ano Eterno e Internacional/ Europeu/ Nacional da Treta»

«Um dia sonho ter um sonho em que sonho que me esqueci do sonho da noite anterior que me tinham incumbido de relatar perante um auditório repleto de sonhadores-idílico-utopistas e, ansioso, mijo nos boxers»

ou

«Um dia deixas de ser idiota e deixas de perder tempo a ler este tipo de mensagens 'brega' em pacotes de açúcar (ou estes blogs inócuos)»


Eis as frases que sonho ler - um dia - nos pacotes de açúcar do/a Nicola (acho que é transexual, neste caso uma mulher prestes a mudar de sexo). O problema é mesmo só a extensão das orações, porque acho que a/o Nicola apreciaria imenso as frases. E não esperem que diga «Modéstia à parte». Modéstia à parte, sou mesmo genial.

«Despertai!»

Ando viciado na leitura da famigerada revista 'testemunho-jeoveana' Despertai!
Tenho despertado obsessiva e compulsivamente.
Acontece-me durante a manhã, durante a tarde, durante a noite e alta noite.
Acho que me converti...
Numa poderosa dose de café.

ROMA/ AMOR

Talvez agora entenda porque desentendo o amor,
Que, aliás, a maioria defende,
Como melhor entende.

Talvez seja um erro meu,
De interpretação gráfica.

É que nunca li AMOR.
Li sempre ROMA.

Manifesto - O Absurdo Ao Poder

Já foi mais-do-que-diagnosticada:
A surdez, gritante, perante o Absurdo.
Urge, portanto, bradar,
Pugnando pelo fim de tal surdez.
O ABCurdo não é curdo.
É um ABC sem ABC, regiões, línguas ou povos.
É global, mesmo que a maioria o subestime, absurdamente.
O Absurdo é astronómico. É inusitado.
É inconveniente. É inevitável.
O Absurdo merece o mundo a seus pés, mas sem lhe lamber os pés.
O Absurdo não é religião.
Aliás, o Absurdo religa pouco, divorcia mais.
É impopular, mesmo quando popular.
O Absurdo é isto e aquilo.
É um esquilo a roer xisto.
O Absurdo é um case-study.
o Absurdo merece ser dissecado como um corpo muito sui generis.
O absurdo não é ridículo, é ridículo.
O absurdo é pluridisciplinar, mas ninguém ouse lhe impor disciplina.
O absurdo não conhece fronteiras.
O absurdo é infimamente e infinitamente absurdo.
O absurdo escreve-se em Minúsculas e em maiúsculas.
O absurdo põe o status quo em estado de sítio.
O absurdo é um beco sem saída e/ou uma saída para a transcendência.
O absurdo é poderoso e o poder é perigo.
O absurda mata ou/e faz cócegas.
O absurdo é o nada. O absurdo é tudo.