23.10.08

Destruir Antes de Ver

O filme dos irmãos Coen.

21.10.08

Nutrições

A para B - É preciso uma paciência de santo para te aturar. Tu comes-me mesmo o cérebro.

B para A - Não foste tu que disseste que não havia nada no congelador para confeccionar, mas que eu precisava de me alimentar bem, porque parecia subnutrido? E já agora, qual é a cientificidade dessa ideia de que os santos são pacientes? Aliás, existem santos?

20.10.08

A história do rapaz que comeu uma bebida (na 1ª Pessoa)

Hoje sugeriram-me um exercício, no mínimo, o máximo:
Que comesse ou bebesse uma palavra.
Que elegesse uma só.
Uma palavra que odiasse, gostasse ou que simplesmente desejasse comer ou beber.

Era suposto tentar escrever tal signo, vertendo caramelo [daquele com o qual a minha irmã cobria o pudim chinês aos sábados à noite, há uns 15 anos] numa fatia de pão ou no fundo de uma caneca de chá, para depois ingerir.

Recapitulando, tinha no cardápio das possibilidades:
Chá + Caramelo + Palavra
ou
Fatia de Pão + Caramelo + Palavra.

Ora, pensei eu, vou comer a palavra mais comprida da fita métrica das palavras.
Ou, em alternativa, uma palavra não mensurável e/ou «ingrafável».
Mas, pensem comigo: num caso, não haveria caramelo suficiente para astronómica e infinita grafia.
Nem fatia de pão, nem fundo de caneca para tamanho palavrão.
Noutro caso, não comeria, nem beberia, e estava cientificamente provado que eu estava a morrer à fome e à sede.

No fim, optei por escrever e comer a palavra (ilegível para quem não habitasse o meu cérebro) «BEBIDA».
Fiquei saciado duplamente.
Pelo menos psicologicamente.

7.10.08

Kud-Uro Pastiche (From The World To Buraka)

Na linha da frente,
A urbe 'stá quente,
Buraka no cosmos.
Passou do gueto.
É branco, amarelo ou preto.


É mestiço,
Me'mo fado castiço.
Vem tudo à tona.
África te atiço.
Brasil e mais isso.
Lisbon, Lisbona,
Lisboa-rebuliço.

Cruzo culturas,
Entroso naturas.
Já não ando às turras.
Pós-kuduro
Aniquila agruras,
Arrebita les mots.
Agora que duro,
Agora mi ma bô.
Enquanto kuduras.

É poesia na anca.
Beat angolano,
Wegue wegue criouluso,
Cabo-verdiano.
Ao fim ao cabo,
'tá tudo tuso.

Criação-move-acção.
Groovesca combustão.
Homem sem grana
Só precisa de abanâ.
Já não maça o beto,
Que dança, sem gana,
Sem botão na camisa,
Suja de betão.

Gravata na pista.
Cada vez menos dista.
Betoneira com livros.
Experimenta, arrisca.
Faísca-bandeira.
Abana a pandeira.


Ele, não,
Não resiste.
Ela, não,
Não resiste.
Fundamentalista alinha na dance.
Literato convence.
O som está em riste.
Desarma o armado e o triste.

É Kud-Uro Pastiche, pô.
É mais-que-kitsch.

1.10.08

Novela-trivela

(Relato de um jogo de futebol cruzado com o resumo de «Ficarei - Mais
Perto do Céu», nova novela da TBI)


(...)
E agora, Nuno Gomes finta Vukcevic e o Benfica recupera o fôlego.
(E deixa-me ganhar fôlego, João Ricardo, para continuar a relatar)
E a Maria deixa a filha de 8 meses em casa sozinha, e vai ao encontro do amante.
E é cartão vermelho.
Falta para Di Maria.
E o plantel encarnado fica desfalcado.
Na aula de Educação Visual, Vitó pergunta a Vânia se lhe pode pintar o dorso.
Está a aproximar-se da baliza. Muito próximo. Quase, quase, quase lá...
E não consegue o planeado.
Neste momento, Miguel Veloso passa a bola a Liedson, que por sua vez a lança, de cabeça, para Moutinho,
E Moutinho, bem pequenino, mais pequeno que o pequeno Petit, falha o golo.
Cassandra vai visitar a namorada à prisão e leva-lhe um bolo de aniversário.
Bola fora de jogo.
Eduarda vai ao jogo do Beira-Mar e cruza-se com o seu ídolo, um dos irmãos Anjos.
Na equipa das Águias, Pablo Aimar é substituído por Luisão, após uma lesão grave, uma entorse.
A filha de Maria acorda de um pesadelo.
E é o pesadelo da equipa azul-e-branca, no jogo ao lado. 4-0, derrota frente ao arsenal bélico do Arsenal, da Inglaterra.
E Cassandra beija Rita, depois de uma longa privação de toque.
É canto.
E um fã ilustre do Benfica, que não é actor, diz «Merda» dez vezes, antes de coçar o tufo.
Emy dá um estalo a Vitó e recomenda-lhe que vá pintar as bonecas da irmã para casa.
E no balneário, ao intervalo do jogo, Paulo Bento abençoa os seus pupilos e põe-nos a rezar.
E Eduarda convida um dos irmãos Anjos a ir à praia com ela ver o pôr do sol.
Ele declina o convite, diz que não tem sexo, porque é anjo, e ela diz, zangada, «não és mais fã meu».
Luisão escorre sangue, suor e lágrimas.
No filme que Aimar vê no balneário, Amélie chora baba e ranho a ver um filme a preto e branco.
No banco, Quique Flores arranha o semblante, desesperado, e leva o dedo ao nariz.
E a bebé da Maria cai ao chão.
E é penalti para o Benfica.
E é... gooooooooooooooooooooolo.
Vitó vai para o chat, para o canal «Somos-bimbos-com-muito-gosto», deprimido, falar com os seus amigos e amigas virtuais, enquanto come uma tosta mista... virtual.
É a euforia total no Estádio da Luz, onde chove a cântaros.
Cassandra exige aos guardas à coca que a prendam numa cela, junto da sua companheira de longa data.
Os adeptos e as adeptas do Benfica beijam-se e abraçam-se, sem pudor.
A bebé da Maria cai sobre uma boneca que a salva de uma queda mais danosa.
Quique Flores recebe flores de uma adepta ferrenha do Benfica, que, em seguida, lhe mostra as mamas.
Maria chega a casa e apanha a boneca do chão.
A filha dorme serenamente sobre a alcatifa.
Um adepto do Sporting embebeda-se e acorda, na tarde pós-jogo, sobre um vómito de cor verde.
A sua camisa está manchada de sangue cor Benfica.