15.1.11

A fachada

Ele não vive rodeado de mulheres. Mas adora-as. Procura nelas a novidade, o feminino. Todas elas trazem e fazem sentir. Ele não encontra a sua alma. A sua paz.
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5.1.11

De como se fabrica um xico-esperto

Vaidade, arrogância, preconceito.
Misturar bem e beber quanto baste.
Terreno fértil para a burrice.
Com qualidade.


(Lembrar de olhar para o tamanho das orelhas)


(Dee Gueu)

27.12.10

Bang me down

A tua franja é tão mais triste quando estás melancólica. O teu sorriso confunde-se com o nevoeiro e traz o cheiro a chuva.
Eu vi-te lá ao fundo a espreitar pelo monóculo do pirata, como quem procura.
E foi então que sonhei um mundo tão mais meu, tão mais nosso.

25.11.10

A minha cabeça noutro tempo (ou a cura de 2008)

Sensação de frustração e de acomodação.
De medo da mudança e do vazio.
Comprimidos, calmantes, chás e mezinhas de todas as espécies para dar coragem não existem. Vontade de ser avestruz e enfiar a cabeça na areia.
Preciso de muletas, pois a auto-estima diminui com o passar do tempo e traz a sensação de morte de tecidos.

13.10.10

Vending Machine

Laca para a peruca

Couve de Bruxelas

Couve roxa

Formosa coxa de frango acondicionada

Caixinha de fósforos

Cereja em lata

Cerveja em lata

Botox para esticar as horas

Maçãs da Argentina

Rolos de lã

Pudim flan

A «Dobra» de Adília Lopes

Um bonsai azul Yves Klein

Uma maquete de habitação descapotável


Lista de compras no post it.

Para sacar da vending machine.

Reposição de stock aos domingos e feriados.

Bas fond.

8.10.10

Badabin badaboom

Quando quero silêncio, os sentimentos saem-me pela boca em catadupa.

26.9.10

rio

rio
em rio de onor
rio de tudo,
de mim, de ti,
dessa coisa chamada amor,
e daquela outra, sabes, o humor... húmido ou seco,
rio do rumor,
essas águas movediças, castiças,
rio-me inclusive das damas de honor,
e nos filmes do Honoré
é uma honra rir-me
do riso sou um habituée
é uma hora, duas, três, a rebolar-me a rir sobre o ridículo da honra,
o ridículo da forma.

rio virado para o rio
a ouvir o «Rio» dos Duran Duran
e claro, o riso dura e dura e é duro e impiedoso para os risíveis.
rio do Rui Rio, do cio, do pio, do fio que trazes ao pescoço.
coço a barriga enquanto rio.
rio e morro a rir, num morro do Rio.
de Janeiro.
em Janeiro.

28.7.10

Aviso à navegação

Fui.
Li.
O objectivo era o de me sentir...Ou de sentir apenas.
Senti. O bem. Depois o mal. O preconceito. A futilidade.
Veio a curiosidade. Li mais. Mais. Mais um bocadinho.
Foi então que vi.
VI.

21.7.10

Por favor desconstruam-me e republiquem-me:


Vendidos e oferecidos de raiz quadrática ventricular.
Posicionam-se como girafas em fila-indiana para sorver os sorvetes servidos em infravermelhos.
Manchas de origem estomacal aproximam-se e criam diálogos gástricos e cíclicos retabulares. 
E depois o Adão disse: 

penúria_luxuriante

Absurd em penúria_luxuriante
Abjectos intra-pessoais
Deixados em localisações 00100101101101001101
E etc.
Procuram-se novos e exímios/
Abjectos para contemplações próximas!

9.7.10

sujeito | objecto

... e Ela cruzou-se com o realizador de «docuficção», cuja obra integral ia ser objecto de análise académica exaustiva (tese de mestrado) por Ela. Ele é um daqueles realizadores de causas sociais, engagé, que nos toca nos seus retratos crus e belos da(s) realidade(s). Ela viu-O ir comprar o jornal ao quiosque B, no Rossio, e decide, no dia seguinte, confiante e obcecada pela personagem, mudar de residência para um banco junto do quiosque, pensando que a compra do jornal ali mesmo seria um hábito diário do senhor realizador social, que era um senhor... anti-social.

Ela pensava abordá-lo um dia destes, quando o visse. o dito realizador não pára ali senão 7 meses e 8 dias depois do primeiro «encontro». entretanto, Ela, já escanzelada, ossos cálcio-deficientes e pele ressequida, embarca num sono profundo, precisamente no momento em que Ele passa por aquele banco... e não o vê.

Ele olha para Ela, enquanto um carreiro de formigas lhe entra pela boca dentro. uma semana depois Ele sugere-lhe que comecem a filmar «No Banco d' Ela», um filme-documentário sobre a vivência desta intelectual sem-abrigo na cidade de Lisboa. Ela aceita a proposta, não reconhecendo já o sr. realizador, em troca de 20€ por dia. enlouquece a meio da rodagem.

o filme recebe 5 estrelas nos jornais de referência de todo o mundo...

16.6.10

Seis exclamações...

27.5.10

Colagem

Rhytmos verbais. Mixturam. Frases sem sentido.
Gosto de. Phrases sem sentido. Trémulas de expressão.
Ou de sonho. Malhado, confuso. Sem sentido. Como um incêndio.
De cortejos sonoros de. Barcos ou beijos.
O coqueiro. é. muito mais vegetal. Quando. As palavras são. Inseguras. Quando. São. Corpos.
Gosto de dizer. Orvalho. Gosto de dizer. Luz.
Gosto de dizer. Palavras.
Mas. Quem as escuta? Quem as recolhe assim?
Sílabas. Desfeitas. Como um cristal.
As palavras. Fazem formigar. As palavras. São.


(colagem a partir de txts de Sophia, Bernardo Soares e Eugénio de Andrade)

15.5.10

profissão: escriturário-dactilógrafo

não sei
tens que te aplicar
um assunto
uma opinião
a mudar
é o «rei mimado»
escrita em directo
performance on-line
o t. passa a vida a
o t. é um happening
o t. acontece
vou acabar a salada diz o e.
ainda tinhas dúvidas?
a l. afinal está a a acabar a salada, prossegue
a s. fuma um cigarro
és tão criativo, de querer e crer criar cenas.
silêncio.
s. sopra.
blow up
blow job
blow no desemprego
s. sorri.
lina: he's working for
because he's from Porto
estou a cortar alho, diz o e.
a pôr alho nas azeitonas, corrige.
what's this?
não acredito
apagaste tudo?
quase
ditador
escangalho
a rir
fialho pereira
oh shit
como se chama o pessoal que transcreve as cenas no tribunal
bué da rápido?
vai dizendo porcaria
porcaria porcaria
procura no google, sugere s.
trans-
sexual
porte
pointing
lúcido
lúcia
pelúcia
irmã lúcia
avé pneu
papa
as papas
dentro do popó-forró
radio what
s. olha para mim com ar matador
s. sorri
vapor, diz e.
vapor
gás
pimenta
o bolso da s.
o ai! da s.
o vento
a impaciência dela.
o estômago dela.
as teclas do gadget dela.

11.5.10

no princípio-mesmo-princípio eram os verbos...

eu gasto
eu desgasto-me
eu desgosto-me
eu esgoto-me
eu, (o) esgoto.

PROP POP POPE

Tanta gente com Papa na boca,
Tanta gente sem papa na boca.
Boçal!, bradam.
Crucifique-se já o boçal e desbocado.
Não é digno desta morada.
A Carris patrocina, perdão, perdão, perdão, saúda o Papa.
Bandeirinha, Prop Pop Pope.
Vive la fête.

No boca-a-boca dos outros, enche o Papa o papo, perdão, o Ego.
Quem ousa invocar o nome do Pai em vão,
E a confiança que ele nos ensinou,
Quer é-é um Mobile XPTO,
Ser ovacionado e vocacionado...
E uns trajes novos para se passear pela cidade.

6.5.10

memo

esqueci-me
do que ia escrever
mesmo agora.
e agora?
agora escrevo
aquilo
que me esqueci de escrever
há pouco.

13.4.10

Work in progress

Dou por mim a negar no momento que ele inspira.

31.3.10

Folclore

Beijo num sapo
Atei o sapato
no mercado do Quebra Costas.
Parti para a guerra
Deixei a terra
num balde de Mim.
Fugi para bem alto
Foi só de um salto
Quando te Vi.

29.3.10

nó.
nódoa que dói dói no tecido da toalha rendada de mesa.
dor de garganta.
que doa!
nó na garganta.
garganta espetada por um garfo espetando uma deliciosa espetada.
depois de meter o garfo à boca, uma gargalhada esgalhada,
daquelas em que quase morremos de tanto rir.
depois sentimos que a garganta está ferida.
e, oops, já não tem graça.
graçola de graça,
não, garçon.
não é de graça.
graceja,
enquanto o esparguete boceja,
e seca no prato.
ninguém se lembra mais dele.
nódoa no tecido.
nódoa no corpo.
nó.
novas.
novelos.
novelas.
o jantar à luz das velas apagou-se.

27.3.10

Untitled #727

(umas palavras escritas em 2003)

Há um jarro de lírios à minha frente.

Uma tela branca atrás.

Ando para a pintar há meses.

Ninguém quer saber dela senão eu e mesmo eu tenho-lhe falhado ou, daí, não.

Não sei se ela quer que a pinte ou que simplesmente a deixe rasa, sem vícios, sem cores ou expressões.

Ontem chamou-me no meu mais tranquilo sono.

Pediu-me licença para existir.

Mas foi no sono e fora do meu sono não sei o que ela deseja.

No meu sono tudo é possível, fora dele tenho uma corda.

Sei que ela tem desejos e que gosta da minha companhia, quando não estou sóbrio.

Há uma criança a meu lado.

Furando a parede, a mil quilómetros, a criança está lá.

De olhar taciturno, está sentada numa cadeira de madeira roída pelo caruncho.

Uma cadeira com uma memória intacta.

Uma cadeira com um corpo esburacado.

A criança não sabe quem é.

Encontra-se ali desde a sua nascença.

Tem a cara suja em sangue.

De quem, não sabe.

Tem as mãos amarradas e sussurra palavras vãs.

Sabe dizer «ptzg» e «gsgag».

De resto, não lhe interessam nomes nem seres humanos.

Por vezes, convive com um rato que corre à sua frente, todos os dias, entre as 9 e as 10 da noite.

O rato não tem pele.

Nunca comeu, diz-me o sofá que o alberga à noite.

Sobrevive à custa do exercício de hora que executa em frente à criança.

Por vezes, lambe-lhe as pernas.

Outras vezes chega-lhe aos seios em busca de leite, mas nunca o sugou.

26.3.10

High Life Tech

Pela janela de MSN não dá para mandar a trança ao príncipe.

22.3.10

Wordle: word-soup-opera

21.2.10

005

Ich bin blindtext.

011

Calças às riscas


Tenho uma calças às riscas


E um par de sapatos que não combinam


O casaco está roto


A camisa tem a gola suja


As meias negras são novas


E as flores já não cheiram a sovacos.

004

magrinho madrinho ou madrinho magrinho dizia ela:

003

Um dois e três


A comer um de cada vez…


Deixo de ler o sono e o estómago vai-se,


Longe.


E fico perto do género literário


O não consumido desmedurado


O medido resumido,


Em boa parceria descrita em páginas de telemóvel sobrecarregado de sms e mms sem sentido de 52centimos cada.

charme bicicleta

nervo,
fervo,
quando o cérebro mingua.
é electro-magna causa oxigená-lo.

danço salto voo,
quando o comboio vem.
rico pobre alegre nobre
falta alguém?

já não há
senão Bem
ao contrário,
diz o vigário,
do alto das suas saias brancas,
manchadas.

conta, conta-me como foi,
como é,
um pontapé, de bicicleta.
nunca o dei,
nunca dei
uma para a caixa,
nem alta nem baixa.
nem uma rasteira.
estatelei-me no chão
e nem sequer na bola toquei.

oh, tristes pés, sempre ao léu.
se ao menos alguém me desse umas Adidas em 3ª mão,
ou de uma marca qualquer,
em 3º pé, perdão...

e do pé para a mão,
perdi a razão que tinha.
e o que tem o cu com as calças?
uma relação,
íntima ou não, têm.

de jeans rasgados nos joelhos,
solta o rasgo frente ao espelho
espalhando charme,
espelhando os ossos,
diz:
"vou uivar para ali.
aqui ninguém me «oive»".

9.2.10

Ressuscitem-No!

Ressuscitem o Cadáver Esquisito que há em Vós!

E depois de «CAFÉ & CIGARROS»... [ReMake-Up]




O realizador Jim Jarmusch roda, em Portugal, o filme-documentário «EMPALHADA DE TREMOÇOS, AMENDOINS E AZEITONAS»,

em torno de conversas de cafés e tascas, com actores amadores nos principais papéis.


Os papéis secundários

– de barman, cozinheira, empregada de limpeza e o tipo que vai comprar tabaco à caixa, etc. -

foram atribuídos a actores como Alexandra Lencastre, João Perry, Rogério Samora e Marina Mota.

8.2.10

«causista» pós-moderno

deixa cá pensar...
que causa vou eu hoje defender...

5.2.10

e...

quando digo «não vou reagir»,
estou a reagir.

23.1.10

.

o
mal
e a mala
encontram-se
no porão de um avião.

o que dizem um para o outro?

12.1.10

Olarila

O orgulho é tão grande que cega.
Até cria valor onde não o há.
Tudo para não dar o braço a torcer.
O orgulho se fosse um rapaz, não subiria às árvores por se achar superior a elas. Nem respiraria, pois bastar-se-ia a ele próprio.
Mas o orgulho não é um rapaz. Tem 60 anos e sobrevive com outros e um tubo imaginário na boca ligado a uma imaginária máquina que cria ar…do ar.

Ler

Escrever até mais não, até não me apetecer escrever e querer escrever e nao saber escrever e nao escrever
escrever escrever escrever

21.12.09

la «boleia»

esperou, esperou, esperou,
horas a fio,
na berma da estrada,
por que um dos milhares de carros e carrinhas e motas que passavam por si parasse,
por que uma alma não desconfiada, empática, piedosa ou aventureira lhe desse uma boleia.

estava esfomeado, desidratado,
lábios a ressequir ao sol,
fatigado,
a 45kms do povoado mais próximo,
tinha um travão nas pernas.
era um homem nos seus 61 anos,
talvez 61 e 2 meses.
talvez menos 2 dias e uma tarde.

desprezado o seu polegar por uma série de ambulâncias - em fila a caminho de uma cerimónia qualquer - que dele se abeiravam, tranquilas,
decidiu tombar o corpo franzino para a frente da próxima que com ele se cruzasse.

afinal, alguém teria que o tirar dali, vivo ou morto.
para ele, naquele momento, o estado era irrelevante.
ele só queria uma boleia,
transitar, mover-se,
vivo ou morto.

a carrinha ambulante, sem urgência, trava a fundo,
evitando um atropelamento,
mas o homem morre, à sua frente, de hipohidratação.

20.12.09

notas de uma viagem de marie delmonde

(no comboio, a caminho de budapeste)

deixa-me
uma nota de quantos dólares quiseres.
sabes bem que não sou puta, nem proxeneta,
e se o sou, não uma qualquer.

nem sequer me interesso pelo vil capital.
digamos que:
gosto de coleccionar,
arquivar notas.
as de despedida,
sobre o rosto de churchill,
de um rei qualquer,
ou sobre o mapa da europa.
são histórias.
é História.

peço-te que ma deixes
sob o soutien,
enquanto durmo,
antes de me deixares.
não te peço que nela espalhes tinta.
deixo-te esta pequena nota:
as tuas impressões digitais bastam-me.
para parecer mais real,
do teu dedo mais sujo.
antes de partires para o outro vagão.

tenho um cigarro, a arder, entre os dedos dos pés.
dormito, no exponencial + infinito do potencial.
mas não tenho memória, nem papel para apontar tamanha torrente.
e há uma criatura que mo impede.
me pede: «não o faças».
«lúcida, não suportarias tal baque», remata.
travo-me.


o meu umbigo é:
um buraco entre a fantasia e o verbo.
nunca haverá sobre ele ponte por onde se passe,
sem se cair ao mar, daquele que engole.
nunca haverá ponta por onde se pegue.
ponto.
só uma ponta do cigarro na ponta dos meus dedos,
a arder.
a arder.

7.12.09

Proib!

Sentido!

Sentido,
Sinal
Banal
Vertical
Proibido.


(Vamos lá, então, às palavras de ordem!)


É proibido proibir!
Proibido proibir proibições!

É proibido privações!
Proibido proibir privações!



(Agora, um pouco de Bíblia no divã)

O fruto proibido está podre, à porta da tua boca.
Não é proibido comê-lo.
Pelo contrário, proibido é não comê-lo!



(Agora, venham lá as lições de moral sadias!)

Proíbe-me tudo, menos o masoquismo!
Menos o masoquismo, ouviste?
Rasga-me o pescoço!
Proibo-te apenas de não me rasgares o pescoço!
Só essa proibição liberta.
Se és masoquista, compreenderás.


(Por fim, lirismo amador e uma questão legal)

Sentido proibido,
Caído no chão.
Proibido calcar!
Proibido contornar!
Proibido sobrevoar!
E mais: não sabem vocês que é proibido roubar sinais proibidos?
Porquê?

Proibido pensar!

26.11.09

too much

22.11.09

Caobsurdo

Ouvi contar que há uns homens que criam cães chamados galgos. Que treinam os cães para correrem mais que os cães de outros homens que também criam essa raça de cães.
E que, depois de bem treinados, se juntam todos, homens e cães numa espécie de evento social, uma grande festa, e mandam os cães correr a ver qual o cão que chega primeiro.
Que era muito importante para estes homens que o seu cão chegasse em primeiro lugar. Chamavam a isto desporto. O dono do cão que chegava primeiro ficava muito ufano, recebia parabéns, apertos de mão, abraços, palmadinhas nas costas. Recebia também um prémio.
Parece que chegar primeiro seria considerado sinal de virilidade. Não do cão mas do dono.
Para me provarem que era verdade mostraram-me uma fotografia de uma dona de cão galgo que tinha ganho uma corrida e a dona era bem servida de pilosidades no rosto.
Ouvi contar também que o prémio do cão era ser abatido ao fim de uns três anos, quando já não tinha nenhuma hipótese de correr de modo a que o dono ganhasse a corrida.
Ouvi contar. Mas deve ser mentira.
Outros me contaram que faz parte da natureza do homem a bondade e a compaixão.
Portanto, não inventem.

18.11.09

BEAT-VITE

manto de dinamite
afrodite
esferovi...

POLIESTIRENO!
bradam-me os puristas techniques,
que não entendem como é + do que freak comer esferovite,
agnósticos do seu poder afrodisíaco.
e eu, mea culpa, à margem da gnose do seu funcionalismo XPTO.
cristo...

há quem o prefira, o esferovite
feito plástico, isolamento, técnico, térmico.
a mim apetece-me mastigá-lo,
hidrogénio e carbono, mmmm, bem cancerígeno,
pipocas de esferovite passadas no passe-vite.
assim, a vida passa a outro sabor.
uma neologia,
um flavourite.

- sem technique não vais a lado nenhum
dizem-me os techniks.
- vês os beatniks, como muitos acabaram a vida?
abatidos pela batida aturdida do beat,
entre o monóxido de carbono libertado pelos cigarros, uma espécie de free jazz e a água cor de vodka,

- e onde jazem eles?
num vago lirismo perdido num vagão de um transiberiano descarrilado,
em direcção a nenhures, algures na Big Long Longínqua Rússia.

4.11.09

Leva as facas.

Corta-me a garganta.
Faz-me acreditar que assim desaparece todo o ar.
Leva as mãos e os pés,
faz deles suportes de um tampo de mesa,
para o fulano que vive no rés.
Do chão. Leva as madeiras,
as esteiras, as cadeiras.
Corta-me o cabelo,
e mostra-o como triunfo na guerra.

2.11.09

abcd

Amélia - disse ele -, amélio-te.
Baluarte, medieval-arte.
Caduco, o cuco desce, junto da folha caduca.
Duque de paus serve de batuque.
Eunuco nenuco, azarado, leva um tiro na nuca.
Fado-é-fardo-e-farda-de-enfardar-por-engomar.
Gongóricas alegorias provocam alergias retóricas.
Homeopata psicopata (m)ata e não desata.
Igreja, que assim seja.
Juvenil cedo senil estica o pernil.
Kodak desaparece do mercado, morre de baque.
Luxúria ao avesso: Ludoteca em pudicoteca.
Monalisa não tinha a cabeleira lisa.
Nádegas belas na adega, junto ao vinho vintage.
Oligarquia oleosa.
Padeira da Pedreira arrota mais alto do que a de Aljubarrota.
Quantos quantos disse hoje?
Roedor de serigrafias de Marilyns do Roy Lischenstein fá-lo sadicamente.
Sade há-de perdurar.
Tânia é uma rapariga contemporânea e com líbido cutânea.
Uvas de uval podres atiradas ao vale.
Vade retro, retrosaria.
Xilol não é lixo, nem lençol.
Zebra.

18.10.09

O Sr. Mais-Do-Que-Produtivo

Era uma vez...
Um empresário, a operar no ramo das fraldas de bebé, tão obcecado com a produtividade, com a sua e a dos outros, que, tinha como objectivo - tal como na sua empresa - produzir o máximo número de filhos possível, não lhe fossem atribuir o cognome de «O Preguiçoso», «O Laxista», « O Irresponsável», «O Incompetente». Odiava que o colassem alguma vez a qualquer um desses adjectivos na empresa, e não admitiria que passasse pela cabeça de alguém que era exactamente assim na sua vida familiar.

Assim, ia preparando, estrategicamente, competente, vertical, direito, o seu império de produtividade, de trabalho doméstico. Programava e promovia, desta forma, o seu marketing pessoal: a sua casa como a extensão da sua empresa, e a sua empresa como extensão da sua casa.

Contratava, como numa companhia de gente anónima, mais de 365 mulheres por ano para produzir filhos, já que a sua mulher era estéril e compreendia a necessidade de posicionamento do marido no mercado da reputação... dos homens produtivos. Ela depois tomaria conta deles, com todo o carinho, dizia-lhe.

Os seus filhos eram produções, metas cumpridas, eficácia, auto-iniciativa, poderio.

Pois, o pobre senhor rico produzia e reproduzia imenso, mas... não sabia o nome de um único filho. Contudo, ninguém poderia, é certo, manchar a sua reputação de... exímio empresário.

Cala-me. Com um beijo.

Quando duas almas se encontram e se tocam:

01. arrebatamento súbito e efémero; impulso.
02. entusiasmo, disposição.
03. inspiração, estro.

Elán.

3.10.09

Conversa ao serão

Word: Do you want to save the changes to Document1?
Ela: No

24.9.09

A-bee-lha

Quanto mais te mexes, mais te afundas – dizia-me ele.
Mas estou quietinha – argumentava eu.
Não compreendia o porquê dele me dizer aquilo quando me sentia inerte.
Ele avisou «virá a picada da abelha e saltarás de dor. Ou de susto.»

22.9.09

Breathe in. Breathe out.

Cortaste-me.
Obrigada.
Só depois do corte, me apercebi que ainda estava viva.
Se não me tivesses cortado, não respirava como se quase me afogasse. E aí morria sem ar.
Morria se tu não me cortasses. Morro quando me cortas.
Dói. Dói a lâmina e não a ferida que abriu.
Obrigada.
Cortaste-me.

13.9.09

(ab)Surda é a noite

Éramos quatro
Absurdavamos juntos
Fiquei eu,
a tartaruga
um ovo de codorniz.

10.9.09

a casa

Era uma casa pintada de cor-de-rosa onde vivia uma família de mãe e filhos.
Havia um muro da altura da criança do meio e para lá do muro um jardim com muitas flores que mudavam conforme a estação.
Havia o pátio na frente da casa onde os irmãos da criança do meio brincavam.
E o pátio de trás com uma parede caiada de branco com uma risca escura muito grossa na parte de baixo.
A criança do meio gostava de, com as unhas, esfolar a parede branca e comer-lhe a cal em dias de muito sol.
A casa foi vendida e, onde antes era o jardim, está agora um grande cubo que é uma oficina onde arranjam carros.
As crianças cresceram, cada uma está numa terra diferente. Um morreu, a mãe morreu. Mas,em noites de muito breu, a criança do meio visita a casa.
No pátio da frente vê os irmãos. Brincam como costumavam.
O jardim ainda lá está e ela vê-se a dormir à sombra das dálias do jardim.

19.8.09

talking in

* Now talking in Bibliotheca de Babel
eleanor-rigby:- tas bem?
noia:- taçe?
Mongo:- catamos
Mongo:- estou a ser atacado por um gajo que só tem uma aldeia)
noia:- uiii
noia:- onde?
eleanor-rigby:- guerraaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa
eleanor-rigby:- soldadosssssssssss
eleanor-rigby:- nobres!!!!!!!!
noia:- ihih
eleanor-rigby:- vou dormir!!!!
eleanor-rigby:- te amanhaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa
eleanor-rigby:- bjssssssssssssss
noia:- t amanha beijos
Mongo:- no k
Mongo:- uma aldeia de bárbaros que conquistei hoje
noia:- então ele já tinha mandado os ataques?
Mongo:- acho que não
Mongo:- quando a conquistei não tinha nenhum ataque
Mongo:- agora tenho
noia:- que tontinho
Mongo:- )
Mongo:- vou deixar o ataque bater
Mongo:- a aldeia não tem tropa
Mongo:- e tem pouca muralha
noia:- http//www.mnba.org.ar/obras_autor.php?autor=&opcion= que coisa mai feia
Mongo:- )
Mongo:- é uma camponesa
noia:- sim, não gosto
noia:- tinha que fazer a camponesa feia?
Mongo:- a que serviu de modelo devia ser feia)
noia:- pois
Mongo:- já conquistaste as aldeias que reservaste?
noia:- sim
noia:- devia apagar
Mongo:- vê mais aldeias ali a sul e reserva
noia:- amanhã
noia:- hoje estou imprópria
Mongo:- pois, tb eu)
Mongo:- adormeci depois do jantar e fiquei esquisito
noia:- eu bebi água demais
noia:- tou com barriga de água
Mongo:- )
Mongo:- já puseste as maias nas portas por causa do carrapato?)
noia:- xiii
noia:- na aldeia fazia isso
noia:- n tenho maias aqui
Mongo:- aqui no porto ainda se faz)
Mongo:- a minha mãe até pôs maias no meu carro)
noia:- e no dia das maias tinhamos que levantar cedo
Mongo:- )
noia:- ahah
noia:- gostei dessa da tua mãe
Mongo:- ela põe maias por todo o lado)
noia:- e faz muito bem
noia:- devemos fazer aquilo em que acreditamos
noia:- n és tu que dizes que és o lugar onde te sentes bem?
noia:- a tua mãe sente-se bem nesse lugar das maias
Mongo:- pois é)
Mongo:- ela curte as tradições
noia:- óptimo
noia:- a minha mãe queimava alecrim qd dava trovoada
noia:- e rezava a santa bárbara
Mongo:- a minha mãe tb tem uma série de superstições
Mongo:- até lhes perco a conta)
noia:- n te contei aquela cena da minha mãe de transportar a cama em dia de trovoada?
Mongo:- acho que não
noia:- então foi assim que aconteceu
noia:- a minha casa era de primeiro andar e os quartos eram em cima
noia:- um dia deu uma daquelas trovoadas pavorosas
noia:- a minha mãe resolveu desmanchar uma cama lá de cima e transportar para o res-do-chão
noia:- sabes como eram as camas antigas, uma trabalheira
Mongo:- eu sei)
noia:- então ela e nós pequenitos peça por peça veio a cama aos bocados para baixo
noia:- transportar o colchão foi uma saga
noia:- e nós uns a rir e os outrpos espantados
noia:- em baixo montamos a cama e qd finalmente estava montada deitamo-nos os seis na cama
noia:- vai daí deu um trovão tão grande que parecia que o mundo ia abaixo
noia:- a minha mãe deu um salto da cama e em pânico disse que era castigo de deus por termos transportado a cama
Mongo:- )
noia:- então, desmanchamos a cama, subimos, peça por peça montamos a cama e cada um foi dormir no seu quarto, entretanto já quase era manhã
Mongo:- eu tenho um primo que quando era puto e trovejava
Mongo:- dizia que era deus que nos estava a mastigar)
noia:- ahah
Mongo:- vou descansar
Mongo:- noia, hastaaaaaaaaaaaaa
Session Close Fri May

Metal Heart (p/ Chan Marshall)

Vil e brilhante coração,
A tua vilã dona entregou-se às autoridades.

O teu coração de metal... oxidou.



17.8.09

Penso eu de que...

E se amanhã de manhã a bandeira azul e branca do Futebol Clube do Porto aparecesse hasteada no estádio da luz? Era brincadeira de rapazes ou eram os filhos da pauta das claques do Porto a provocar os bons rapazes do Benfica?

15.8.09

labirinto

E desenhou à sua volta um labirinto tão perfeitinho que agora não lhe encontra a saída.

12.8.09

HELP!

pois é, meus caros amigos.
a dada altura, passei a desconfiar de quase todos os ISMOS.

não falo dos sismos ou dos abismos,
mas das ideias, das ideologias e dos movimentos artísticos e culturais, que levados muito a sério, e «ao peito», tornavam-nos - a eles e a nós - locais infrequentáveis, tóxicos fundamentalistas.

pois, dizia eu, tornei-me um acérrimo adepto da desconfiança.
criei um ismo, sem querer:
o «DESCONFIANCISMO».
e agora não sei como resolver esta contradição.
alguém ajuda?

11.8.09

Olhos anfíbios

Em torno de um copo,
há um caldo de diamantes entornado,
sobre um caldo verde já esfriado,
sobras de um farto banquete no ilustre «Paquete do Amor», em Alto Mar-mor-to.
A misericórdia que a «Santa Casa of The Rising Sun» sente por mim comove-me.
Choro copiosamente.
Copio os choros desalmados de todas as almas deste mundo.
Elas, as «bordelinhas», que bordam a sedução a bordo do Paquete, têm piedade de mim.
Ele, meu Deus, tem piedade de mim.
A Pietá tem piedade de mim.
Até a tão nobre Piedade tem piedade de mim.
Enquanto vejo os Jogos da Santa Casa da Misericórdia na TV, rio-me à fartazana com os cânticos dos números profanos, quase gregorianos.
Enquanto perpasso a escuridão do túnel do Marquês, canto, de peito aberto, o Cântico dos Cânticos,
Enquanto, nas paredes intervencionadas por artistas de Nova Iorque e Vila Nova de Foz Côa, vejo imagens de Sade a beijar o dorso de um abade.
Há-de vir a Luz, há-de (creio).
Incandescente?
Em raio?
Florescente?

Viagens na minha terra

Medidor era a sua profissão.
Passou quase uma vida a medir a distância entre uma terra e outra com uma régua de vinte centímetros.
Sempre que se enganava voltava atrás.
Numa vida inteira nunca saiu da sua terra.
Nem sabia de que terra era.
Morreu.
Tiraram-lhe as medidas...
com uma régua de vinte centímetros.
Regressou à terra, ninguém sabe onde.

Conde Lírios

10.8.09

The dark side of the man ou uma sombra conde lírios

Era um homem e a sua sombra. Cansada a sombra seguia o homem, subiam a colina. Era um dia de sol daqueles em que o ar quente até faz ondinhas no ar.
O homem caminhava um pouco curvado. A sombra arrastava-se colada a ele pelos pés, tão leve que não machucava a relva da colina, tomava antes a forma da relva, das pedras.
Era uma sombra delicada. Mas estava farta da sina de sombra de seguir o homem. E do sol que lhe mudava a forma. Ora ficava muito fininha, uma sombra giacometti mas sem o nariz de pinóquio, ora uma sombra gorda botero mas sem cor. Com tanta luz e ficava sempre escura. E decidiu que queria parar, descansar. Apanhou uma pedrita do chão e atirou nas costas do homem. Este virou-se e estranhou não ver ninguém. Mas a sombra falou. Deixa-me ficar aqui, disse-lhe. O homem levantou um braço, coçou a cabeça. E a sombra, contrariada levantou também um braço. O homem respondeu, não posso deixar-te ir, um homem tem que ter sombra. Talvez tu sejas o meu lado escuro. Repara que quanto mais luz, mais sombra. Com pouca luz mal te distingo, ficas difusa. Com muita luz consigo ver-te melhor. Sei-me melhor.
E lá continuaram até ao cimo da colina onde o homem se sentou debaixo de uma arvore, adormeceu e a sombra descansou.
A sombra acordou primeiro do que o homem empurrada pelo movimento de rotação da Terrra.
Olhou para o homem, inerte, quase como morto... mas o que era aquela névoa azulada que lhe escorria da fronte?
Talvez seja um sonho, pensou.
A sombra recuou dois passos, franziu as sobrancelhas e ficou a mirar o homem por mais uns segundos.
Nunca lhe tinha ocorrido que o homem tivesse sonhos.